O Irã disparou uma salva de mísseis contra alvos israelenses neste domingo (7) em retaliação a ataques de Israel nos arredores de Beirute, segundo a Reuters. As defesas israelenses interceptaram os projéteis, e não havia informação imediata sobre danos em território israelense. A escalada acontece em meio a negociações frágeis entre Washington e Teerã para encerrar um conflito que já dura mais de 100 dias.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ligaria para Netanyahu e pediria que ele não retaliasse — para não comprometer as negociações de paz entre Washington e Teerã, que completam 100 dias de conflito. Netanyahu teria concordado em adiar uma resposta de maior escala. Mas na madrugada de segunda-feira (8), Israel atacou mesmo assim.
Horas depois dos pedidos de Trump, a Força Aérea Israelense atingiu alvos militares no oeste e no centro do Irã. As IDF anunciaram a operação em publicação no Telegram, descrevendo os alvos como infraestrutura do "regime terrorista iraniano", sem fornecer detalhes adicionais. Relatórios iranianos citados pelo Times of Israel apontam cerca de 15 locais atingidos. A Al Jazeera reportou que um deles era um depósito de drones em Teerã. Explosões foram registradas em Teerã, Isfahan e Tabriz. O Irã fechou o espaço aéreo ao redor do Aeroporto Internacional Imam Khomeini, o principal da capital.
Publicidade
Os Guardas Revolucionários confirmaram em comunicado que Israel utilizou mísseis balísticos lançados por via aérea. Alguns veículos mencionaram o Aeroporto Internacional de Mehrabad, em Teerã, entre os possíveis alvos — dado ainda sem confirmação independente.
Antes dos ataques, Trump havia sido categórico ao Axios: "Cada um deles se divertiu. Israel teve seu ataque e o Irã teve o seu. Não precisamos de mais um." Ao Financial Times, deixou claro a hierarquia nas negociações: "Eu dou todas as ordens. Não é ele", referindo-se a Netanyahu. No "Meet the Press", da NBC, afirmou estar "muito perto de um acordo final" com o Irã — mas reconheceu que pontos ainda estão em aberto, incluindo uma cláusula para impedir que Teerã desenvolva ou adquira armas nucleares.
Segundo o Times of Israel, Netanyahu concordou apenas em adiar uma retaliação de maior escala. Um oficial americano disse que uma resposta israelense em larga escala não deve ser "iminente". A situação segue em evolução.
Israel atacou primeiro: ataques a Beirute reabrem ferida no Líbano
A sequência de eventos começou quando Israel lançou ataques na área de Dahiyeh, no sul de Beirute — reduto histórico do Hezbollah —, pela primeira vez desde que os EUA anunciaram um plano de trégua para o Líbano na semana passada. O governo israelense afirmou que os ataques foram uma resposta ao disparo de foguetes do Hezbollah contra território israelense. As forças israelenses também emitiram ordem de evacuação para Tiro, no sul do Líbano, sinalizando possíveis novos ataques na região.
Em Beirute, no mesmo dia, familiares e militares realizaram o funeral do brigadeiro-general Wissam Sabra, oficial sênior morto em um ataque ao seu veículo no sul do Líbano no sábado.
Netanyahu disse ter ordenado pessoalmente os ataques a Dahiyeh. Trump, porém, não poupou palavras: "Não estou feliz com isso", afirmou sobre os ataques israelenses no Líbano.
Teerã responde com mísseis e ameaça ir além
Depois dos ataques israelenses, o Irã reagiu com o lançamento de mísseis. Mohammed Baqer Qalibaf, presidente do parlamento iraniano e negociador-chefe de paz, publicou no X que bases dos EUA e ativos israelenses são "alvos legítimos" por causa da "violação dos acordos sobre o Líbano". Ebrahim Rezaei, porta-voz do comitê de segurança nacional do parlamento iraniano, também usou o X para afirmar que o Irã entregará uma "resposta decisiva e dolorosa" aos ataques israelenses no Líbano.
Um oficial israelense, em resposta, disse à Reuters que Israel retaliará qualquer ataque proveniente do Irã e considerará isso "uma oportunidade para renovar a campanha".
O Hezbollah, que não faz parte da trégua vigente e seria desmantelado sob seus termos, afirmou que não abrirá mão de suas armas enquanto Israel não parar de combater e não se retirar do Líbano.
Guerra chega a 100 dias com negociações no fio da navalha
O conflito entre EUA, Israel e Irã completou 100 dias neste fim de semana. Iniciado em fevereiro com uma campanha aérea americana e israelense contra o Irã, o confronto entrou em uma fase de impasse desde início de abril, quando os ataques diretos foram pausados. Desde então, o Irã bloqueia a maior parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz — a principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio. Washington, por sua vez, mantém bloqueio nos portos iranianos.
Na madrugada de sábado (6), os EUA atacaram radares costeiros iranianos em Goruk e na Ilha Qeshm, no estreito, após abater drones iranianos que, segundo o Comando Central americano, ameaçavam o tráfego marítimo. Em retaliação, os Guardas Revolucionários iranianos atacaram bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein. O Kuwait confirmou ter interceptado sete mísseis balísticos sobre áreas residenciais — houve danos materiais, mas sem vítimas.
Trump havia repreendido Netanyahu com palavrões em uma ligação telefônica na semana passada. Depois da conversa, Netanyahu cancelou ataques a Beirute e concordou com o novo plano de trégua para o Líbano. O episódio deste domingo mostra que o compromisso durou menos de uma semana.
EUA avaliam usar ativos iranianos para reconstruir aliados do Golfo
Em paralelo à escalada militar, uma fonte familiar a planos do governo americano disse à Reuters no sábado que Washington avalia disponibilizar ativos iranianos congelados para que países vizinhos do Golfo reparem danos causados por ataques iranianos. A informação não foi confirmada oficialmente, e nenhum valor ou mecanismo legal foi anunciado publicamente.
A resposta iraniana foi imediata. O vice-chanceler Kazem Gharibabadi afirmou neste domingo que qualquer desvio de ativos iranianos seria ilegal e que Teerã tomará medidas em resposta.
As demandas iranianas nas negociações incluem o levantamento de sanções americanas e internacionais, o reconhecimento de sua influência sobre o Estreito de Ormuz e a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados. Trump exige que qualquer acordo impeça o Irã de desenvolver armas nucleares — em termos mais duros do que o acordo de 2015, que ele mesmo abandonou.



