Atualização: Donald Trump afirmou nesta quarta-feira, 8 de julho, que o memorando de entendimento com o Irã para tentar encerrar a guerra está “acabado”. Na nova declaração, Trump disse que não quer mais lidar com Teerã e classificou como encerrado o memorando que havia aberto uma janela de negociação.


Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã nesta terça-feira, 7 de julho, e colocaram sob risco imediato o cessar-fogo negociado para reduzir a tensão no Estreito de Ormuz. A ofensiva foi anunciada pelo Comando Central dos EUA depois de uma nova sequência de incidentes envolvendo navios comerciais na região.

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A ação americana ocorre poucos dias após Washington e Teerã terem aceitado interromper ataques e permitir a passagem de embarcações por Ormuz, uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo para petróleo e gás. O entendimento era tratado como uma tentativa de transformar a trégua militar em um acordo mais duradouro.

A justificativa apresentada pelos EUA foi a de que navios comerciais teriam sido atacados durante trânsito pela região. O CENTCOM afirmou que os ataques americanos buscavam impor custos ao Irã por ações contra embarcações civis em águas internacionais.

Mas o ponto central da crise agora é outro: ao voltar a bombardear o Irã, os próprios Estados Unidos passam a pressionar o cessar-fogo que vinham tentando preservar. A trégua, que dependia da suspensão de ataques e da retomada gradual da navegação, entrou em uma fase de alto risco.

EUA ampliam ofensiva e Irã promete resposta

Após a publicação inicial, o Comando Central dos EUA informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra mais de 80 alvos iranianos. Segundo o CENTCOM, a ofensiva atingiu sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, radares costeiros, capacidades antinavio e mais de 60 pequenas embarcações ligadas à Guarda Revolucionária em Ormuz e arredores.

A resposta iraniana elevou o risco de regionalização da crise. O Irã realizou novos ataques contra instalações ligadas aos EUA no Golfo, incluindo Bahrain e Kuwait, enquanto Teerã acusa Washington de ter violado o memorando.

Mídias iranianas relataram explosões em Qeshm, Bandar Abbas, Sirik e Kharg. Em Sirik, houve registro de feridos por estilhaços e danos em áreas portuárias, segundo relatos divulgados pela imprensa internacional. O CENTCOM não mencionou Kharg em sua declaração sobre os alvos, o que mantém esse ponto dependente de confirmação adicional.

Irã diz cumprir memorando sobre Ormuz

O Irã contestou a leitura de que estaria descumprindo o memorando sobre Ormuz. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã vinha cumprindo seus compromissos para administrar a passagem de embarcações pelo estreito.

Baghaei disse ainda que navios comerciais que usam rotas não coordenadas com o Irã, ou que manipulam sistemas de identificação e rastreamento, criam riscos de colisão, problemas ambientais e insegurança na navegação. A declaração reforça a disputa sobre quem controla, na prática, a circulação pelo estreito.

Esse é o impasse que torna o cessar-fogo instável. Para os EUA e aliados do Golfo, Ormuz deve permanecer aberto à navegação internacional sem submissão a rotas definidas por Teerã. Para o Irã, a segurança da passagem depende de coordenação com suas autoridades e do respeito às regras estabelecidas no memorando.

Washington também retoma pressão econômica

Além dos ataques militares, os EUA revogaram uma licença que autorizava a produção, entrega e venda de petróleo, petroquímicos e derivados de origem iraniana. A licença havia sido emitida em junho e valeria até 21 de agosto, como parte do esforço para aliviar a tensão e manter as negociações em andamento.

Com a mudança, a OFAC revogou a licença anterior e criou uma autorização apenas para encerramento de operações até 17 de julho. A licença original permitia vendas de petróleo e derivados iranianos até 21 de agosto, o que reforça a leitura de que Washington também retirou uma concessão econômica feita durante a tentativa de estabilizar a crise.

A combinação de ataque militar e pressão econômica reduz o espaço para negociação. Mesmo que os EUA afirmem estar respondendo a incidentes contra navios, a ofensiva cria um novo obstáculo para a continuidade da trégua.