O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta segunda-feira (22) e disse que fará “o que tiver de fazer” caso Teerã não cumpra o acordo provisório firmado com Washington.
A declaração foi dada a jornalistas em meio a uma nova fase de negociação entre os dois países. Segundo a Reuters, Trump afirmou que reagirá se o Irã não respeitar o acordo ou “não se comportar”.
A fala ocorre no mesmo dia em que os Estados Unidos autorizaram temporariamente a venda de petróleo iraniano, em uma flexibilização relevante das sanções contra Teerã durante as tratativas por um acordo final.
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Acordo ainda é provisório
Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram na semana passada um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã. O entendimento foi firmado mais de três meses depois de ataques dos EUA e de Israel contra o território iraniano e de respostas iranianas contra Israel e países do Golfo que abrigam bases americanas.
Apesar do avanço diplomático, a fala de Trump mostra que Washington tenta manter a ameaça de força como instrumento de pressão. O acordo ainda depende de novos passos e de uma negociação mais ampla para se transformar em um pacto final.
A principal tensão está no cumprimento das condições impostas ao Irã. Washington afirma que Teerã se comprometeu a permitir a volta de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e a garantir livre trânsito pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
EUA liberam petróleo iraniano por 60 dias
Também nesta segunda-feira, o Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença temporária que permite a produção, entrega e venda de petróleo bruto, derivados e produtos petroquímicos de origem iraniana até 21 de agosto de 2026.
A medida representa uma flexibilização importante das sanções americanas contra o setor de energia do Irã. A licença também inclui serviços associados, como transporte, seguro e transações bancárias, dentro do escopo autorizado pelas negociações.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a medida está alinhada com as conversas em andamento na Suíça e com os compromissos assumidos pelo Irã sobre inspeções nucleares e trânsito livre em Ormuz.
Dinheiro descongelado vira disputa
Outro ponto de atrito envolve o destino dos recursos iranianos que forem descongelados. Trump disse que o dinheiro liberado voltaria para os Estados Unidos na forma de compra de alimentos, especialmente de produtores americanos.
O Irã, porém, sinalizou uma leitura diferente. A agência semi-oficial Tasnim citou o presidente do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati, dizendo que Teerã não estaria obrigado a comprar insumos agrícolas dos EUA sob o atual memorando de entendimento.
Hemmati também afirmou, segundo a Tasnim, que os recursos restantes não seriam necessariamente usados apenas para bens essenciais, podendo ser destinados à compra de outros produtos não sancionados.
Contexto
A nova ameaça de Trump vem depois de semanas de avanço e recuo na crise entre Washington e Teerã. Nos últimos dias, petroleiros voltaram a cruzar o Estreito de Ormuz em meio à expectativa de um acordo mais amplo, enquanto os EUA discutem mecanismos de alívio econômico para o Irã.
O acordo provisório não encerra a crise. Ele apenas abre uma janela de negociação, com prazo limitado, em que o Irã busca acesso a recursos e exportações, enquanto os EUA tentam impor garantias sobre inspeções nucleares, segurança regional e navegação em Ormuz.



