Os Estados Unidos disseram ter atacado alvos militares iranianos no fim de semana, enquanto o Irã afirmou ter retaliado contra uma base usada por forças americanas.

A nova troca de ataques ocorre em meio às negociações para encerrar a guerra e voltou a acionar alertas no Golfo, com o Kuwait relatando interceptações de mísseis e drones.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, os ataques americanos foram uma resposta à derrubada de um drone MQ-1 que, de acordo com Washington, operava sobre águas internacionais. O órgão militar afirmou que caças americanos eliminaram defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones de ataque unidirecional que representariam ameaça a navios em águas regionais.

A Guarda Revolucionária do Irã disse, por sua vez, que atingiu uma base aérea usada pelos Estados Unidos em resposta a um ataque contra uma torre de telecomunicações na ilha de Sirik, na província iraniana de Hormozgan. Teerã não identificou publicamente qual base teria sido alvo da retaliação.

No Kuwait, onde há presença militar americana relevante, defesas aéreas interceptaram ataques com mísseis e drones enquanto sirenes soavam pelo país, segundo a agência estatal KUNA. Até o momento, não havia detalhes completos sobre danos ou vítimas.

Nova troca de ataques pressiona o cessar-fogo

A escalada ocorre apesar do cessar-fogo em vigor desde abril entre Estados Unidos e Irã. As duas partes têm trocado ataques esporádicos enquanto a diplomacia tenta transformar a trégua em um acordo mais duradouro.

O presidente americano Donald Trump não mencionou diretamente a nova troca de ataques em uma publicação nas redes sociais, mas voltou a dizer que o Irã quer chegar a um acordo. A fala ocorre em meio à pressão para reabrir o Estreito de Ormuz e aliviar o impacto da guerra sobre os preços de energia.

O Estreito de Ormuz segue no centro da crise porque é uma das rotas mais sensíveis para o transporte global de petróleo. A instabilidade militar na região mantém operadores de energia atentos ao risco de novos ataques, restrições de navegação e atrasos em uma solução negociada.

Impacto para o Brasil passa por energia e fertilizantes

Para o Brasil, o efeito direto não está no campo militar, mas no impacto econômico de uma crise prolongada no Golfo Pérsico. A instabilidade em Ormuz pode pressionar petróleo, fretes, fertilizantes e custos de produção, especialmente em setores dependentes de insumos importados.

Um estudo do IFPRI já havia apontado que produtores do Brasil e da Argentina ficam expostos quando há alta nos preços de energia e fertilizantes, já que ambos dependem de importações ligadas a rotas e fornecedores da região do Golfo. Esse ponto torna a crise relevante para o agronegócio brasileiro, mesmo sem envolvimento direto do país no conflito.

O Itamaraty já havia desaconselhado viagens a países do Oriente Médio, incluindo Irã e Kuwait, após a escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Até a publicação desta matéria, não havia nova manifestação brasileira específica sobre a troca de ataques desta segunda-feira.