Um drone atingiu nesta quarta-feira (29) o Energos Winter, navio de armazenamento e regaseificação de gás de propriedade americana, no porto de Damieta, na costa mediterrânea do Egito. O incêndio provocado pelo impacto se espalhou para uma segunda embarcação que estava nas proximidades.

A empresa britânica de segurança marítima Ambrey apontou o ataque de drone em sua avaliação inicial do incidente. Outras fontes de segurança e do setor marítimo também identificaram danos no lado direito do casco do Energos Winter.

O Ministério do Petróleo do Egito confirmou que um incêndio atingiu uma embarcação de regaseificação e outra de armazenamento no porto, mas não mencionou o ataque de drone nem informou oficialmente a causa.

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O fogo foi controlado pelas equipes de emergência e não houve mortos nem feridos. Nenhum país ou grupo armado assumiu a responsabilidade pelo ataque até a publicação.

Ataque leva conflito ao território egípcio

O episódio representa uma nova ampliação geográfica da guerra no Oriente Médio. O Egito vinha atuando como aliado dos Estados Unidos e interlocutor diplomático em conflitos regionais, sem ter seu território diretamente envolvido nas principais frentes de combate.

O Energos Winter funciona como uma unidade flutuante capaz de armazenar gás natural liquefeito e transformá-lo novamente em gás para distribuição. A embarcação tem capacidade aproximada de 138 mil metros cúbicos e estava atracada em uma instalação estratégica para o abastecimento energético egípcio.

O ataque ocorreu durante uma sequência de ações militares envolvendo diferentes países da região. No mesmo período, o Irã disparou mísseis contra instalações americanas na Jordânia, os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos dentro do território iraniano e forças americanas e sauditas realizaram ataques no Iraque.

Até agora, não há evidência pública que permita relacionar diretamente o episódio no Egito ao Irã, aos Houthis do Iêmen ou às milícias iraquianas alinhadas a Teerã.

Arábia Saudita entra publicamente nos ataques

A nova escalada também marcou a primeira vez em que a Arábia Saudita reconheceu publicamente sua participação em bombardeios ao lado dos Estados Unidos nesta guerra.

Caças americanos e sauditas atacaram locais de armazenamento de armas e estruturas logísticas de grupos alinhados ao Irã no leste do Iraque. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, a operação respondeu a mais de 30 ataques ou tentativas de ataque com drones em um período de 72 horas.

Washington e Riad afirmaram que os drones foram lançados de território iraquiano contra forças americanas e instalações petrolíferas sauditas. O governo do Irã negou comandar as ações.

As Forças de Mobilização Popular do Iraque, coalizão paramilitar que inclui facções apoiadas por Teerã e integra formalmente a estrutura de segurança iraquiana, informou que ao menos 20 integrantes morreram e 32 ficaram feridos.

A Presidência do Iraque condenou os bombardeios como uma violação da soberania nacional. Ao mesmo tempo, pediu que grupos armados deixem de usar o território iraquiano para atacar países vizinhos.

Petróleo supera US$ 90

A ampliação dos ataques voltou a pressionar o mercado internacional de energia. O petróleo Brent encerrou a quarta-feira com alta de 7,91%, negociado a US$ 90,74 por barril.

O mercado reage ao risco de interrupções simultâneas no Estreito de Ormuz, no Mar Vermelho e em instalações energéticas de países do Oriente Médio.