O Partido Liberal (PL) reconheceu nesta segunda-feira (26) a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, contrariando a posição inicial de seu candidato, Flávio Bolsonaro, que havia anunciado que não aceitaria o resultado das urnas.

Em comunicado assinado pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, o PL afirmou reconhecer o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas defendeu que os questionamentos sobre a campanha sejam esclarecidos.

O partido criticou especialmente o aumento dos gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação, alegando que essas medidas poderiam comprometer a igualdade da disputa. A nota, porém, não apresentou provas de irregularidades nem pediu a anulação da eleição.

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Flávio muda discurso após derrota

No domingo (25), Flávio Bolsonaro afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou a intenção de pedir a anulação do segundo turno, após questionar a prorrogação do horário de votação.

Nesta segunda, o senador mudou o encaminhamento e afirmou que pretende pedir a cassação da chapa Lula–Alckmin, sob acusações de abuso de poder político e econômico.

A diferença é importante: enquanto Flávio anunciou medidas para contestar judicialmente a vitória do adversário, a direção do PL reconheceu o resultado e concentrou suas críticas nas condições da campanha.

O senador já havia apresentado ações contra Lula e Alckmin antes da votação, incluindo uma investigação judicial eleitoral recebida pelo TSE em setembro.

O que o PL busca preservar

A nota de Valdemar também destacou a força política conquistada pelo partido: 121 deputados federais, 29 senadores, 229 deputados estaduais e distritais e seis governadores, segundo os números apresentados pela própria legenda.

A mensagem sinaliza que o PL pretende preservar seu peso político mesmo fora da Presidência, mantendo espaço para disputar projetos e influenciar decisões no Congresso.

O posicionamento também contrasta com o ocorrido em 2022. Naquele ano, após a derrota de Jair Bolsonaro, o PL pediu uma verificação extraordinária de urnas e acabou multado pelo TSE em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.

Agora, o partido adota publicamente outra postura: reconhece a vitória de Lula, sem abandonar as críticas à campanha petista ou sua posição de oposição.