A disputa pela Presidência da República chegou a um empate numérico a três dias da eleição. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com 50% dos votos válidos cada, resultado que encerra a vantagem numérica do senador nas duas rodadas anteriores do instituto.
O movimento ocorre depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula. Na pesquisa Datafolha de 8 de outubro, o senador aparecia com 52% dos votos válidos, contra 48% do presidente. Uma semana depois, a diferença caiu para 51% a 49%. Agora, chegou a 50% a 50%.
A mudança mostra uma aproximação nos números do instituto, mas não permite afirmar que houve uma virada consolidada no eleitorado. As oscilações ocorreram dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
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Quando são considerados todos os entrevistados, incluindo quem pretende votar em branco, anular ou ainda não decidiu, Flávio aparece com 47% e Lula com 46%. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 2% não souberam responder.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores entre 20 e 22 de outubro, em 154 cidades, e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026.
Flávio ainda aparece à frente em outra pesquisa
O empate numérico do Datafolha não se repete em todos os institutos.
Também nesta quinta-feira, o PoderData/Aya divulgou levantamento que aponta Flávio com 51% e Lula com 49% dos votos válidos. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de 1,6 ponto percentual.
Na rodada anterior do PoderData, divulgada em 19 de outubro, o placar era de 52% a 48% para Flávio. Assim como no Datafolha, houve redução da diferença numérica, embora o senador continue à frente nesse levantamento.
A pesquisa PoderData/Aya entrevistou 4.000 eleitores por telefone entre 19 e 21 de outubro, em 865 municípios. Está registrada no TSE sob o número BR-07926/2026.
Os dois institutos, portanto, mostram uma disputa apertada e uma redução recente da distância entre os candidatos. Mas seus resultados não são idênticos e não devem ser tratados como uma única pesquisa: cada levantamento utiliza metodologia própria.
Com poucos eleitores dispostos a mudar, comparecimento ganha peso
No Datafolha, 94% dos entrevistados afirmam já ter decidido seu voto. Apenas 6% admitem que ainda podem mudar de candidato.
O PoderData/Aya apresenta um indicador semelhante: 94% dos entrevistados com escolha declarada dizem estar decididos. Entre eleitores de Flávio, essa proporção chega a 97%; entre os de Lula, fica em 94%.
Isso não torna o resultado previsível. Mesmo um eleitor decidido pode deixar de comparecer às urnas, e diferenças de participação entre grupos podem influenciar uma eleição equilibrada.
O relatório do PoderData traz um recorte importante. Entre eleitores de 16 a 24 anos, Lula aparece com 52% das intenções de voto, contra 43% de Flávio. No entanto, apenas 90% dos entrevistados nessa faixa etária afirmam que certamente votarão no segundo turno.
Entre os eleitores de 45 a 59 anos e aqueles com 60 anos ou mais, a certeza declarada de comparecimento chega a 97%.
Esses números não são uma previsão de abstenção. Mostram, porém, que os grupos de eleitores não apresentam a mesma disposição declarada para votar, uma diferença relevante quando a disputa está dentro da margem de erro.
O que cada campanha disputa até domingo
Flávio Bolsonaro chega à reta final depois de ter vencido o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Sua campanha tenta transformar aquela vantagem eleitoral em vitória definitiva, preservando o apoio já conquistado.
Para Lula, o desafio envolve tanto manter os eleitores que já o apoiam quanto ampliar a participação de segmentos em que apresenta vantagem.
Após o primeiro turno, o presidente alterou sua estratégia de campanha, ampliando a presença em vídeos diretos, no rádio e nos debates, além de dar maior destaque a temas cotidianos, como trabalho e renda.
Os candidatos também passaram a dividir igualmente o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, diferença importante em relação ao primeiro turno.
Os novos números mostram que a vantagem registrada nas pesquisas diminuiu. Não demonstram, entretanto, qual estratégia provocou essa mudança nem antecipam o resultado das urnas.
O segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro. Até lá, a questão central deixou de ser apenas quem aparece numericamente à frente nas pesquisas: também importa quais eleitores efetivamente irão votar.



