O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (19) que entregará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira (20), uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário e telefônico e dos cinco filhos. A decisão amplia o desafio lançado ao senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18).
Durante um ato de campanha em Porto Alegre, Lula voltou a exigir que o adversário faça o mesmo, incluindo suas empresas e familiares. O presidente afirmou que tomou a iniciativa para responder às acusações de corrupção feitas contra ele e sua família na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Eu vou entregar isso amanhã, no Tribunal Eleitoral”, declarou Lula, ao afirmar que espera uma autorização equivalente de Flávio.
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O anúncio marca uma nova etapa do confronto. Até domingo, a abertura dos sigilos era uma proposta lançada diante das câmeras. Agora, Lula promete formalizar sua disposição perante a Justiça Eleitoral, enquanto a resposta de Flávio continua no centro da disputa.
Como começou o desafio
A proposta surgiu durante uma discussão sobre corrupção no primeiro debate presidencial do segundo turno.
Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e suas relações com a empresária Roberta Luchsinger, citada nas apurações sobre irregularidades no INSS.
Lula respondeu que o filho havia disponibilizado seus dados bancários e telefônicos para investigação e afirmou que eventuais irregularidades deveriam ser apuradas pela Polícia Federal.
O presidente então passou a questionar Flávio sobre o patrimônio do senador e suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Foi nesse confronto que Lula lançou o desafio: que os dois candidatos e seus familiares permitissem o acesso aos dados bancários e telefônicos antes da votação.
Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não respondeu diretamente se aceitaria a proposta. Em vez disso, acusou Lula de movimentar dinheiro por fora das próprias contas, sem apresentar comprovação durante o debate.
Por que Lula decidiu incluir os cinco filhos?
Ao anunciar a medida nesta segunda-feira, Lula afirmou que decidiu incluir todos os filhos porque considera que sua família é alvo recorrente de acusações em campanhas eleitorais.
O presidente apresentou a iniciativa como uma defesa de sua honra e da trajetória política construída ao longo das últimas décadas. Também afirmou que esta será sua última disputa presidencial.
A inclusão dos familiares amplia o alcance político do desafio. As acusações feitas por Flávio durante o debate não se limitaram ao patrimônio pessoal de Lula, mas também envolveram negócios e relações atribuídos a pessoas próximas ao presidente.
Ao estender a proposta à família Bolsonaro e às empresas de Flávio, Lula procura levar a mesma cobrança ao patrimônio e às relações financeiras do adversário.
O senador, por sua vez, sustenta que as suspeitas envolvendo pessoas ligadas ao presidente precisam ser esclarecidas e questiona se a abertura das contas pessoais seria suficiente para investigar as acusações que apresentou.
Banco Master e Lulinha estão no centro das acusações
O confronto sobre os sigilos reúne duas frentes que já vinham sendo exploradas pela campanha presidencial.
De um lado, Flávio cobra esclarecimentos sobre Lulinha e pessoas investigadas no caso das irregularidades no INSS. O presidente nega proteger familiares de investigações e afirma que qualquer responsabilidade deve ser apurada.
Do outro, Lula questiona as relações de Flávio com Daniel Vorcaro e as negociações para financiar Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
O senador já reconheceu publicamente que solicitou apoio financeiro ao banqueiro para a produção cinematográfica, mas negou irregularidades e afirmou que não recebeu vantagens pessoais.
A cobertura anterior do Trendahora sobre o áudio envolvendo Flávio e Vorcaro reúne os diálogos divulgados, a negociação de valores milionários e as explicações apresentadas pelo senador.
O que Flávio Bolsonaro respondeu?
Durante o debate, Flávio declarou que não tinha nada a esconder, mas contestou a proposta feita por Lula.
Após o encontro, em entrevista à Band, o senador ironizou a abertura do sigilo telefônico ao afirmar que Lula sequer possui celular próprio.
Flávio também declarou que suas contas estão abertas e que seus bens são informados à Receita Federal.
As declarações representam a resposta pública do senador ao desafio inicial, mas não confirmam que ele tenha concordado em apresentar à Justiça uma autorização semelhante à anunciada por Lula nesta segunda-feira.
O que acontece agora?
Lula prometeu entregar o documento ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, nesta terça-feira (20).
A expectativa apresentada pelo presidente é que Flávio também formalize sua disposição de abrir os sigilos e permita que a Justiça analise as informações.
Com o segundo turno marcado para domingo (25), a próxima movimentação dos candidatos indicará se o desafio ficará restrito às declarações de campanha ou produzirá novas providências concretas.



