A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) criou uma comissão formada por lideranças evangélicas para auxiliar na organização e na mobilização do ato de 7 de Setembro previsto para a Avenida Paulista, em São Paulo, segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo.
O grupo deverá atuar paralelamente ao núcleo político da candidatura e reúne lideranças ligadas à Assembleia de Deus – Missão, Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Igreja do Evangelho Quadrangular e Sara Nossa Terra.
A iniciativa reforça a tentativa da campanha de mobilizar um dos segmentos em que Flávio apresenta seu melhor desempenho eleitoral. No Datafolha divulgado na sexta-feira (21), o candidato aparece com 62% das intenções de voto entre evangélicos em eventual segundo turno contra Lula, que registra 29%.
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A margem de erro nesse recorte é de quatro pontos percentuais. No conjunto dos eleitores, Lula aparece numericamente à frente, com 47%, diante de 43% de Flávio, em cenário de disputa apertada.
Mudança na organização do 7 de Setembro
A montagem da comissão também representa uma mudança na forma de organização das manifestações bolsonaristas realizadas na Avenida Paulista.
Desde 2021, o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, exercia papel central na coordenação de atos do grupo no 7 de Setembro.
Neste ano, Malafaia afirmou que não organizará nem coordenará eventos da campanha de Flávio ou do PL. O pastor, porém, mantém apoio à candidatura e já pediu votos para o senador.
A campanha passou, então, a distribuir a mobilização entre lideranças de diferentes denominações evangélicas.
O PL já havia reservado a Avenida Paulista para uma manifestação no Dia da Independência. O evento é tratado pela campanha como um dos principais testes de mobilização popular desta fase da corrida presidencial.
Evangélicos são um dos principais redutos de Flávio
O recorte religioso do Datafolha ajuda a explicar a importância estratégica do movimento.
Enquanto Flávio registra 62% entre evangélicos, Lula tem 29%. No levantamento anterior, os percentuais eram de 60% para Flávio e 31% para o presidente.
A situação se inverte entre católicos. Nesse grupo, Lula aparece com 54%, contra 36% de Flávio.
Os números mostram uma divisão religiosa significativa dentro da disputa presidencial, mas não permitem atribuir o desempenho de Flávio à nova comissão, criada posteriormente e ainda antes da realização do ato.
A campanha busca transformar essa vantagem eleitoral entre evangélicos em presença física na Paulista, justamente numa data que se tornou símbolo das mobilizações bolsonaristas durante o governo de Jair Bolsonaro.
Disputa pelo eleitor evangélico também mobiliza Lula
O movimento ocorre enquanto a campanha de Lula também discute como ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico.
Aliados do presidente têm debatido a realização de eventos voltados ao segmento, mas há divergências sobre a estratégia. Uma ala defende aproximação mais direta com lideranças religiosas, enquanto outra teme que iniciativas explicitamente eleitorais direcionadas às igrejas sejam vistas como artificiais.
As estratégias mostram caminhos diferentes para disputar o mesmo eleitorado: a campanha de Flávio aposta agora numa estrutura específica de mobilização para um grande ato público, enquanto aliados de Lula discutem até que ponto devem fazer ações diretamente direcionadas ao segmento religioso.
O ato de 7 de Setembro será realizado a menos de um mês do primeiro turno e deverá funcionar como um dos primeiros testes públicos da capacidade da campanha de Flávio de converter sua base eleitoral em mobilização nas ruas.



