A TV Globo cancelou o debate presidencial que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º), último dia permitido pelo calendário eleitoral para debates de primeiro turno em rádio e televisão. O encontro estava marcado para as 21h30.

O cancelamento ocorreu depois de uma sequência de mudanças nas horas anteriores ao programa. Lula (PT) já havia informado que não participaria e optou por conceder entrevista ao Flow Podcast. Pouco depois, decisões judiciais alteraram regras previamente definidas pela emissora para o debate.

O que mudou nas regras

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio reservado a Lula e também proibiu que os candidatos presentes dirigissem perguntas ao presidente ausente.

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A decisão atendeu a um pedido da federação que apoia Lula. Segundo a magistrada, a exposição repetida do lugar vazio poderia produzir efeitos além da simples informação sobre a ausência e afetar a igualdade entre as candidaturas.

Horas depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Renan Santos (Missão) fosse incluído no debate. O candidato havia recorrido após decisões anteriores que haviam negado sua participação.

Flávio desiste pouco antes do debate

Após a decisão do TSE sobre o púlpito de Lula, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que também não iria ao encontro.

Em publicação nas redes sociais, ele atribuiu a desistência ao que chamou de “censura imposta ao evento pelo TSE” e afirmou que a imprensa deveria ser livre. A classificação de “censura” é de Flávio; a decisão judicial tratou a regra como uma questão de equilíbrio entre candidaturas.

Com isso, os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas ficaram fora do último debate da Globo antes do primeiro turno.

Por que a Globo decidiu cancelar

Segundo informações divulgadas após o cancelamento, a Globo afirmou que as decisões judiciais modificaram regras que haviam sido previamente negociadas para o encontro e criaram insegurança jurídica para a realização do programa.

A emissora também informou que recorreu das decisões, mas considerou que não havia tempo suficiente para aguardar uma definição antes do horário previsto para a transmissão.

Na prática, o episódio encerrou a possibilidade de um último confronto televisionado entre os presidenciáveis antes da votação de domingo (4).

O calendário oficial do TSE estabelece 1º de outubro como o último dia para a realização de debates no rádio e na televisão no primeiro turno, admitindo apenas que uma transmissão iniciada nesta quinta-feira avance pela madrugada de sexta.