O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) associou urnas eletrônicas utilizadas no Brasil a uma empresa que atua em eleições na Venezuela durante um encontro com representantes diplomáticos nesta terça-feira (21), em Brasília.
A posição oficial disponível do Tribunal Superior Eleitoral contesta a associação. Segundo a Corte, a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem trabalhou na programação dos equipamentos utilizados nas eleições brasileiras.
Durante o evento “Debatendo o Brasil”, promovido pelo The Brazilian Report e pela Novo Selo Comunicação, Flávio citou documentos de inteligência divulgados pelos Estados Unidos sobre suspeitas de manipulação de sistemas eleitorais na Venezuela.
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Ao abordar o assunto, o senador afirmou que muitas das máquinas utilizadas nas eleições brasileiras teriam “a mesma origem” da empresa mencionada nos documentos. Em seguida, declarou que não estava questionando o sistema de votação brasileiro e pediu que outros países enviassem a maior quantidade possível de observadores para acompanhar as eleições de outubro.
TSE diz que empresa não produziu urnas brasileiras
Em página atualizada em 8 de julho de 2026, o TSE classifica como falsas as mensagens que atribuem à Smartmatic o fornecimento de urnas ou de programas usados no Brasil.
De acordo com o tribunal, todo o projeto da urna eletrônica e do sistema de votação foi concebido e é administrado pela Justiça Eleitoral. A Smartmatic prestou serviços de conexão de dados e voz e participou do treinamento de profissionais de suporte, sem acesso à programação dos equipamentos.
A empresa chegou a disputar uma licitação para fabricar urnas destinadas às eleições de 2020, mas foi derrotada pela Positivo. O TSE afirma ainda que os equipamentos são produzidos por empresas escolhidas em licitações, sob coordenação direta da Justiça Eleitoral.
Assessoria diz que Flávio não questiona eleição
Após a repercussão, a assessoria de Flávio afirmou que o senador não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. Segundo a manifestação, o convite para a presença de observadores segue uma prática adotada em outras democracias e teria como objetivo reforçar a transparência.
PT avalia medidas judiciais após declaração
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta quarta-feira (22) que o partido avalia adotar medidas judiciais contra Flávio Bolsonaro em razão das declarações feitas diante dos representantes diplomáticos.
Em nota, Edinho acusou o senador de repetir métodos utilizados por Jair Bolsonaro durante as eleições de 2022 e declarou que a legenda está analisando “as medidas judiciais cabíveis”. Até a atualização desta matéria, o partido não havia informado o protocolo de uma ação.
A pré-campanha de Flávio também divulgou uma manifestação formal, assinada pelo senador, pelo coordenador-geral Rogério Marinho e pela coordenadora jurídica Maria Claudia Bucchianeri. O documento afirma que Flávio não questionou a integridade do sistema de votação e reafirma sua “integral confiança” no processo eleitoral brasileiro.
O TSE, por sua vez, decidiu voltar a divulgar o comunicado que nega qualquer participação da Smartmatic na fabricação ou na programação das urnas brasileiras. A nota oficial afirma que a empresa prestou apenas serviços de suporte, conexão de dados e treinamento, sem atuar no desenvolvimento dos equipamentos.
Reunião remete ao episódio que tornou Jair inelegível
A presença de diplomatas e a abordagem sobre as urnas remetem à reunião promovida por Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. Na ocasião, o então presidente apresentou acusações sem provas contra o sistema eletrônico de votação.
Em 2023, o TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos ao concluir que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. O encontro foi transmitido pela TV Brasil e realizado com recursos da estrutura pública.
Os contextos, porém, não são juridicamente idênticos. A reunião de Flávio foi organizada por entidades privadas, e a decisão contra Jair considerou um conjunto mais amplo de circunstâncias, incluindo o uso da Presidência e de meios públicos. A semelhança imediata é política: novamente, questionamentos sobre as urnas foram apresentados a representantes estrangeiros durante um período eleitoral.


