Donald Trump afirmou na noite de quarta-feira, 1º de abril, que a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã está “muito perto” de concluir seus objetivos, mas evitou apresentar um prazo firme para o fim da guerra. No discurso, o presidente também disse que os EUA continuarão a atingir o país “extremamente duro” nas próximas duas a três semanas, mantendo aberta a possibilidade de nova escalada militar.
A reação iraniana veio logo depois. Segundo a Reuters, as Forças Armadas do Irã prometeram ataques “mais esmagadores, mais amplos e mais destrutivos”, e o porta-voz Ebrahim Zolfaqari afirmou que “a guerra continuará” até o “arrependimento permanente e rendição” dos inimigos do país. A resposta reforçou a percepção de que o discurso de Trump não abriu uma rota clara de descompressão imediata do conflito.
O ponto mais sensível que permaneceu sem resposta clara foi o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Trump voltou a dizer que os países dependentes da energia do Golfo deveriam liderar a reabertura da rota, e não os Estados Unidos. Nesta quinta-feira, cerca de 40 países discutiram uma resposta conjunta para restaurar a navegação, sem participação americana.
A indefinição atingiu imediatamente os mercados. A Reuters informou que o Brent subiu cerca de 7%, para a faixa de US$ 108 por barril, enquanto o petróleo americano avançou mais de 11%, refletindo o temor de prolongamento da guerra e de interrupção mais duradoura do fluxo energético na região. A reação veio após investidores perceberem que o discurso de Trump endureceu o tom militar, mas não esclareceu como o impasse em Ormuz será resolvido.
Além da questão energética, o pronunciamento também deixou em aberto o objetivo estratégico central anunciado por Washington no início da guerra: impedir de forma definitiva o avanço nuclear iraniano. A Reuters destacou que o Irã ainda mantém um estoque de urânio altamente enriquecido, embora haja avaliação de que ele esteja majoritariamente enterrado em instalações subterrâneas após os bombardeios.
O discurso, assim, tentou transmitir imagem de avanço militar americano, mas foi seguido por uma resposta iraniana de continuidade da guerra e por um agravamento imediato da incerteza sobre Ormuz, petróleo e prazo de encerramento do conflito. Para o mercado e para aliados dos EUA, a fala de Trump ofereceu demonstração de força, mas não uma saída definida para a crise.



