O Senado dos Estados Unidos avançou, nesta terça-feira, uma resolução que busca limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump e exigir autorização do Congresso para a continuidade da participação americana no conflito contra o Irã.

A votação terminou em 50 a 47 e representou uma derrota política para Trump em meio ao desgaste interno provocado pela guerra. Quatro senadores republicanos se juntaram à maioria dos democratas para permitir o avanço da medida.

O texto ainda não significa a retirada imediata dos Estados Unidos da guerra. A votação foi procedural, ou seja, permitiu que a proposta avançasse no Senado. Para virar uma medida efetiva, a resolução ainda teria de passar pelo próprio Senado, enfrentar a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, e superar um provável veto presidencial.

Mesmo assim, o resultado tem peso político. A votação mostra que a pressão sobre a Casa Branca deixou de vir apenas da oposição democrata e passou a alcançar parte do Partido Republicano, especialmente entre senadores que cobram mais transparência sobre os objetivos, custos e limites da operação militar contra o Irã.

A resolução se apoia na Lei de Poderes de Guerra dos Estados Unidos, criada para limitar a capacidade de um presidente manter tropas em hostilidades sem aval do Congresso. Pela regra, o uso das Forças Armadas deve ser encerrado após 60 dias caso não haja declaração de guerra, autorização específica do Congresso ou outra exceção prevista em lei.

Trump sustenta que as hostilidades foram encerradas por causa de um cessar-fogo. Críticos no Congresso, porém, argumentam que a presença militar americana, o bloqueio naval e as ameaças de novos ataques mostram que a crise continua aberta.

A votação também ocorre em um momento delicado para a política externa americana. O Irã segue no centro de uma crise que envolve segurança regional, rotas de petróleo, o Estreito de Ormuz e a pressão de aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico para evitar uma nova escalada militar.

Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante. Uma guerra prolongada no Oriente Médio pode pressionar o mercado de petróleo, afetar expectativas sobre combustíveis, mexer com o dólar e ampliar a percepção de risco em economias emergentes. Por isso, a disputa entre Trump e o Congresso americano também interessa ao acompanhamento econômico e diplomático brasileiro.

A medida agora entra em uma nova fase de disputa legislativa. Mesmo que sua aprovação final seja incerta, o avanço no Senado expõe uma fissura política importante: parte do Congresso americano quer retomar o poder de decidir até onde os Estados Unidos podem ir na guerra contra o Irã.