O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 31, que Washington pode encerrar sua campanha militar contra o Irã em “duas ou três semanas”. Esse foi o sinal mais claro até agora de que a Casa Branca pretende buscar uma saída relativamente rápida para um conflito que já entrou na quinta semana e alterou o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

Ao falar na Casa Branca, Trump disse que o Irã não precisa necessariamente fechar um acordo com os Estados Unidos para que a guerra comece a ser encerrada. De acordo com a Reuters, o republicano afirmou que a condição para a retirada americana seria deixar Teerã sem capacidade de obter uma arma nuclear no curto prazo.

A declaração marcou uma mudança importante no tom de Washington. Mais cedo, o governo americano ainda vinculava uma eventual desescalada a exigências como o fim do enriquecimento de urânio, a renúncia iraniana a armas nucleares e a reabertura total do Estreito de Ormuz. Horas depois, a própria Casa Branca informou que Trump fará um pronunciamento sobre o Irã, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio disse que os EUA já conseguem ver uma “linha de chegada” para a guerra.

Mesmo com esse discurso, o conflito continuou se espalhando. A Reuters relatou que a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou grandes empresas americanas atuantes na região, enquanto Pequim e Islamabad defenderam um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações de paz o quanto antes.

No Golfo, a escalada ganhou um novo símbolo. A embarcação Al-Salmi, um navio-tanque kuwaitiano totalmente carregado, foi atingida em Dubai em um ataque atribuído ao Irã. Segundo a Al Jazeera, citando autoridades locais e a Kuwait Petroleum Corporation, houve incêndio a bordo, mas o fogo foi controlado sem registro de vazamento de óleo ou feridos.

A crise também ampliou a pressão diplomática entre os países árabes do Golfo. Autoridades do Catar afirmaram que há uma posição unificada na região em favor da desescalada, depois de uma série de ataques e interceptações envolvendo também outros países do entorno.

Em outra frente da guerra, três capacetes azuis da ONU, todos da Indonésia, morreram em dois incidentes distintos no sul do Líbano, segundo a Reuters. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que ataques contra forças de paz podem configurar crimes de guerra, o que elevou ainda mais a pressão internacional sobre os desdobramentos do conflito.

Os mercados reagiram ao sinal de possível descompressão. A Reuters informou que bolsas asiáticas subiram no início desta quarta-feira, impulsionadas pela expectativa de que a guerra possa caminhar para um desfecho, embora os ataques continuem e a incerteza sobre os termos de uma eventual trégua permaneça alta.