O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (12) que não acredita precisar da ajuda da China para encerrar a guerra com o Irã.

Mesmo com as negociações paradas e com o Estreito de Ormuz ainda no centro da crise energética e diplomática.

A fala foi dada antes da viagem de Trump a Pequim, onde ele deve se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping. Segundo a Reuters, Trump afirmou que os Estados Unidos vencerão a disputa “de uma forma ou de outra”, de modo pacífico ou não.

A declaração tenta projetar força em um momento delicado para Washington. Mais de um mês após o início de um cessar-fogo considerado frágil, Estados Unidos e Irã ainda não chegaram a um acordo para encerrar as hostilidades. Ao mesmo tempo, Teerã tenta consolidar influência sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais sensíveis para o comércio global de energia.

Ormuz no centro da pressão

O impasse ganhou peso porque Ormuz não é apenas um ponto militar. A passagem é uma rota estratégica para petróleo e gás, e sua instabilidade afeta diretamente mercados globais. De acordo com a Reuters, o Irã fechou acordos com Iraque e Paquistão para escoar petróleo e gás natural liquefeito da região, enquanto outros países avaliam caminhos semelhantes.

Esse movimento aumenta o risco de normalização de uma nova realidade: Teerã com maior capacidade de controlar, negociar ou condicionar parte da circulação energética na região. Para os Estados Unidos, isso cria um problema diplomático maior do que a fala de Trump sugere.

A própria relação com a China mostra essa contradição. Washington afirma que autoridades americanas e chinesas concordaram que nenhum país ou organização deve cobrar pedágios pela passagem em vias internacionais como o Estreito de Ormuz. Pequim não contestou essa versão e defendeu a retomada de um tráfego normal e seguro pela região.

China pode ser inevitável na negociação

Embora Trump tenha dito que não precisa da China, a crise torna Xi Jinping uma peça difícil de ignorar. A China mantém relação com o Irã, é uma grande consumidora de energia da região e tem interesse direto na reabertura estável de Ormuz.

A Chatham House avalia que Pequim tem influência sobre Teerã, mas deve querer contrapartidas dos Estados Unidos para usá-la. Já o CSIS aponta que a viagem de Trump à China tende a combinar temas econômicos com a tentativa de obter algum avanço sobre o Irã e o Estreito de Ormuz.

Na prática, a fala de Trump serve para consumo político interno e para demonstrar autonomia diante de Pequim. Mas o tabuleiro diplomático indica outra coisa: sem algum grau de coordenação com a China, a pressão sobre o Irã pode ficar mais limitada.

Exigências seguem distantes

As posições de Washington e Teerã continuam afastadas. Os Estados Unidos exigem o fim do programa nuclear iraniano e a retirada do controle iraniano sobre o estreito. O Irã, por sua vez, cobra compensação por danos de guerra, fim do bloqueio americano e encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Trump rejeitou publicamente as demandas iranianas e endureceu o tom antes da viagem a Pequim. A sinalização reduz, ao menos no curto prazo, a expectativa de um acordo rápido.

Impacto para o Brasil é indireto, mas relevante

Para o Brasil, o principal impacto é indireto. Uma crise prolongada em Ormuz pode manter pressão sobre petróleo, dólar e expectativas de inflação, fatores que costumam chegar ao mercado doméstico por meio de combustíveis, custos logísticos e incerteza financeira.

Isso não significa que haverá aumento imediato de preços no Brasil. Mas a persistência da tensão no Oriente Médio mantém o tema no radar econômico, especialmente porque o petróleo continua sendo uma variável sensível para governos, empresas e consumidores.