O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (23) uma resolução para tentar interromper ações militares americanas contra o Irã, em uma derrota política para Donald Trump dentro de um Congresso controlado por republicanos.
A votação terminou em 50 votos a 48. A medida orienta o presidente americano a retirar as Forças Armadas dos EUA de hostilidades com ou contra o Irã, salvo em caso de autorização do Congresso. O efeito prático, porém, ainda é incerto.
Segundo a Reuters, a resolução tende a ter peso principalmente simbólico, já que não é enviada à Casa Branca para assinatura presidencial. O governo Trump argumenta que a medida não é constitucional nem vinculante, o que pode levar a uma disputa jurídica sobre sua aplicação.
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Republicanos rompem com Trump
A votação foi quase partidária, mas quatro senadores republicanos se juntaram aos democratas para apoiar a resolução: Susan Collins, Lisa Murkowski, Rand Paul e Bill Cassidy. O democrata John Fetterman votou contra.
O resultado aumenta a pressão sobre Trump em um momento delicado para sua política externa. A guerra contra o Irã, iniciada após ataques dos EUA e de Israel em fevereiro, se tornou impopular entre parte do eleitorado americano e passou a gerar resistência também dentro do Partido Republicano.
A resolução já havia passado pela Câmara dos Representantes em maio. Com a aprovação no Senado, o Congresso envia um recado político mais forte contra a continuidade da campanha militar sem autorização legislativa formal.
Votação ocorre durante negociação com o Irã
A decisão do Senado ocorre enquanto a administração Trump tenta transformar a trégua com Teerã em um acordo mais amplo. Washington e Teerã ainda divergem sobre pontos centrais, como inspeções nucleares, alívio de sanções e garantias para a reabertura plena de rotas de energia no Golfo.
A crise também se conecta ao Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes para o petróleo e o gás no mundo. A interrupção ou restrição de navios na região afetou o comércio global de energia e ampliou a preocupação com preços internacionais.
No Trendahora, a escalada envolvendo EUA, Irã e Ormuz vem sendo acompanhada no Radar Oriente Médio, Ormuz e impactos para o Brasil.
Pressão política aumenta nos EUA
A votação também expõe o desgaste doméstico de Trump. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça mostrou que apenas uma minoria dos americanos considera que a guerra contra o Irã valeu seus custos, enquanto a aprovação do presidente voltou ao menor nível de seu segundo mandato.
Esse ambiente político pesa sobre os republicanos antes das eleições legislativas de novembro. Mesmo sem encerrar automaticamente as operações militares, a resolução aprovada pelo Senado cria um novo constrangimento para a Casa Branca e reforça a disputa entre Congresso e Executivo sobre quem tem autoridade para manter os EUA em guerra.
Impacto para o Brasil
Para o Brasil, o impacto direto é limitado no campo diplomático, mas relevante no campo econômico. Uma escalada prolongada entre EUA e Irã pode pressionar petróleo, fretes marítimos, dólar e expectativas de inflação.
Por outro lado, uma contenção política dentro dos Estados Unidos pode reduzir o risco de novas ações militares amplas, caso aumente o custo interno para Trump manter operações contra Teerã. O ponto central agora é saber se a resolução ficará apenas como gesto político ou se abrirá uma disputa institucional mais forte sobre os poderes de guerra do presidente americano.



