A seleção do Irã deve disputar a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, mas sem manter sua base principal em território norte-americano
A delegação iraniana ficará hospedada no México, em Tijuana, depois que os EUA indicaram resistência à permanência da equipe no país durante todo o torneio.
Segundo a Reuters, a Fifa procurou o governo mexicano após a objeção americana. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (25) que seu país aceitará receber a seleção iraniana e disse que não vê motivo para negar a hospedagem.
Na prática, o Irã passa a ter uma logística incomum para uma seleção em Copa do Mundo: treinar e se hospedar no México, mas jogar suas partidas da fase de grupos nos Estados Unidos.
A equipe iraniana está no Grupo G e tem três jogos previstos em solo americano. O Irã enfrentará a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, nos dias 15 e 21 de junho, e o Egito em Seattle, em 26 de junho.
Rotina transfronteiriça vira parte da Copa
A base escolhida para o Irã será em Tijuana, cidade mexicana próxima à fronteira com os Estados Unidos. A Fifa confirmou a transferência do campo-base para o Centro Xoloitzcuintle, estrutura ligada ao clube local.
A mudança cria uma operação mais complexa do que a de uma seleção instalada no mesmo país em que joga. A delegação iraniana terá de organizar hospedagem, treinos, deslocamentos, segurança, controle migratório e entrada nos EUA a partir de uma base no México.
Não há indicação de que o Irã tenha sido barrado da Copa. O ponto central é outro: os Estados Unidos aceitaram a participação da equipe no torneio, mas não quiseram manter a delegação hospedada no país fora dos dias de jogo.
A Copa de 2026 será sediada por Estados Unidos, México e Canadá, mas o caso iraniano mostra que a divisão entre os países-sede também pode funcionar como solução diplomática para conflitos que ultrapassam o futebol.
Vistos, segurança e tensão diplomática
A decisão ocorre em meio à tensão entre Estados Unidos e Irã. Autoridades iranianas já haviam apontado dificuldades relacionadas a vistos, e Mehdi Taj, presidente da federação iraniana de futebol, disse anteriormente que a mudança de Arizona para Tijuana ajudaria a evitar complicações e permitiria voos diretos da Iran Air para o México.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou que o presidente Donald Trump deixou claro que o Irã é bem-vindo para disputar a Copa, mas não respondeu diretamente sobre a decisão envolvendo a hospedagem da delegação.
O resultado é uma solução intermediária: o Irã entra nos Estados Unidos para jogar, mas organiza sua rotina fora do país. A medida reduz o risco de uma crise imediata para a Fifa, mas evidencia como a tensão entre Washington e Teerã chegou à logística prática do Mundial.
No caso iraniano, o futebol virou uma extensão da disputa diplomática. O time joga nos EUA, mas sua rotina de preparação terá de ser construída do outro lado da fronteira.



