Atualização: o balanço dos terremotos na Venezuela subiu para 1.450 mortos, enquanto 33 pessoas foram resgatadas com vida e quase 50 mil seguem não localizadas. Leia a nova atualização do Trendahora.


A Venezuela confirmou 920 mortes após os dois terremotos que atingiram o norte do país, enquanto equipes de resgate, voluntários e moradores correm contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros. Mais de 3.300 pessoas ficaram feridas, e 172 ainda são estimadas como presas em estruturas colapsadas.

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A nova fase da tragédia concentra as atenções em La Guaira, estado costeiro ao norte de Caracas, onde prédios inteiros desabaram e moradores relatam falta de maquinário pesado para retirar lajes e concreto. A região foi declarada área crítica da emergência e passou a receber equipes estrangeiras de busca e salvamento.

Mortos chegam a 920, e buscas entram em fase crítica

O balanço divulgado pelo governo venezuelano aponta 920 mortos e 3.360 feridos. Uma lista colaborativa criada para reunir relatos de familiares registrava mais de 50 mil pessoas reportadas como desaparecidas até esta sexta-feira (26).

Esse número, porém, deve ser tratado com cautela. Ele não equivale a uma confirmação oficial de mortes ou desaparecimentos caso a caso. Parte dos registros pode envolver pessoas incomunicáveis, nomes repetidos ou relatos feitos por diferentes familiares em meio ao colapso das comunicações.

Mesmo assim, a escala dos relatos indica que o número oficial de vítimas ainda pode subir. As primeiras 72 horas após um terremoto são consideradas decisivas para localizar pessoas com vida em bolsões de ar, especialmente em prédios residenciais que desabaram parcialmente.

Moradores cavam com as mãos em La Guaira

La Guaira concentra parte das cenas mais dramáticas. Moradores e voluntários passaram a remover concreto com as próprias mãos, pás, barras de ferro e ferramentas improvisadas, enquanto esperam a chegada de guindastes e equipamentos capazes de mover grandes placas.

Ao menos 100 prédios foram destruídos no estado, incluindo edifícios residenciais altos. Ruas ficaram bloqueadas por escombros, rachaduras abriram trechos de rodovias e o deslocamento de equipes oficiais passou a disputar espaço com moradores tentando chegar às áreas atingidas.

Em alguns pontos, a presença de bombeiros, militares e defesa civil é visível. Em outros, moradores relatam que a ajuda ainda é insuficiente. A falta de maquinário pesado virou uma das principais queixas nas áreas onde há indícios de pessoas soterradas.

Ajuda internacional começa a chegar

Equipes de resgate e suprimentos enviados por outros países começaram a chegar à Venezuela quase dois dias após os tremores. México, Colômbia, Índia, Espanha, El Salvador e República Dominicana estão entre os países citados nas primeiras mobilizações internacionais.

Os Estados Unidos anunciaram US$ 150 milhões em ajuda e flexibilização temporária de sanções para facilitar operações humanitárias. A resposta inclui apoio logístico, aeronaves, helicópteros e recursos médicos para áreas afetadas.

Organizações humanitárias também ampliaram a atuação. A Cruz Vermelha, a World Central Kitchen, a Cáritas, a Direct Relief e outras entidades passaram a mobilizar alimentos, água, atendimento médico, abrigo temporário e apoio para localização de familiares.

La Guaira vira teste para o governo venezuelano

A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que La Guaira será militarizada para facilitar o trabalho de resgate, organizar o trânsito de veículos e permitir a chegada de suprimentos. O governo também pediu que doações sejam entregues às autoridades para evitar congestionamento nas estradas que levam às áreas destruídas.

A crise, porém, já pressiona politicamente a administração venezuelana. Moradores reclamam de demora no atendimento, falta de equipamentos e dificuldade para retirar corpos e sobreviventes de prédios colapsados.

Em Catia La Mar, testemunhas relataram saques a lojas danificadas. O episódio expõe o risco de desorganização em meio à escassez de alimentos, água, medicamentos e abrigo para famílias que perderam casas ou não podem retornar a prédios comprometidos.

Danos passam de US$ 6 bilhões

Um relatório citado pela Reuters estima que os danos diretos dos terremotos chegam a cerca de US$ 6,7 bilhões. A destruição atinge moradias, estradas, redes de energia, áreas portuárias e serviços essenciais.

Apesar do impacto em infraestrutura, autoridades venezuelanas afirmam que a produção de petróleo não foi interrompida. Executivos e trabalhadores do setor energético indicam que a estrutura principal escapou de danos graves, embora apagões e atrasos em portos possam afetar operações.

A situação em Morón, perto do epicentro, também segue crítica. A cidade continuava sem eletricidade nesta sexta-feira, e autoridades locais ainda avaliavam danos em casas, vias e serviços básicos.

Quase 7 milhões podem ser afetados

A Organização Internacional para as Migrações estima que quase 7 milhões de pessoas podem ser afetadas pelos terremotos, considerando desalojados, famílias sem acesso regular a serviços básicos, pessoas em áreas danificadas e comunidades que dependem de assistência emergencial.

A prioridade imediata é localizar sobreviventes, retirar pessoas presas, estabilizar prédios em risco e garantir água, comida, atendimento médico e abrigo. Depois, a Venezuela terá de lidar com uma reconstrução cara em um país já marcado por crise econômica, infraestrutura frágil e grande vulnerabilidade social.