Dois terremotos fortes atingiram a Venezuela e deixaram ao menos 188 mortos, mais de 1.500 feridos e destruição em Caracas, La Guaira e áreas próximas ao epicentro.
As autoridades ainda trabalham na busca por sobreviventes, enquanto milhares de pessoas são temidas mortas ou desaparecidas sob os escombros.
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O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um terremoto de magnitude 7,2 a cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas na noite de quarta-feira (24). Menos de um minuto depois, outro tremor, de magnitude 7,5, atingiu a mesma região. O segundo abalo foi o mais forte registrado na Venezuela desde 1900, de acordo com a agência.
Balanço oficial aponta 188 mortos e mais de 1.500 feridos
O novo balanço foi divulgado por Jorge Rodríguez, chefe da Assembleia Nacional da Venezuela e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez. Ele afirmou que ao menos 188 pessoas morreram, 1.520 ficaram feridas e cerca de 200 permaneciam presas sob escombros. Também segundo Rodríguez, ao menos 250 prédios foram danificados ou destruídos.
O número de vítimas ainda pode aumentar porque equipes de resgate seguem trabalhando em áreas com edifícios colapsados, ruas bloqueadas e dificuldade de acesso. Autoridades e moradores relatam que há pessoas soterradas em diferentes pontos da região norte do país.
La Guaira vira zona de desastre após tremores
A área mais afetada é La Guaira, estado costeiro ao norte de Caracas e onde fica o principal aeroporto que atende a capital venezuelana. Delcy Rodríguez classificou a região como “zona de desastre” e disse que o governo tenta mobilizar maquinário pesado para acelerar os resgates.
Moradores relatam falta de comida, água, medicamentos e equipes suficientes para retirar pessoas presas sob lajes e concreto. A Reuters informou ter presenciado saques em duas lojas em La Guaira, enquanto voluntários tentavam cavar com as próprias mãos em busca de sobreviventes.
Aeroporto de Caracas é fechado após danos
O principal aeroporto de Caracas, localizado em La Guaira, foi fechado após sofrer danos. A interrupção cria um obstáculo logístico para a chegada de ajuda, equipes internacionais de busca e suprimentos médicos ao país.
Em Caracas, moradores deixaram prédios às pressas durante os tremores. Relatos colhidos por agências internacionais descrevem paredes caídas, tetos danificados, ruas tomadas por escombros e pessoas procurando parentes em meio à destruição.
Casas desabam perto do epicentro em Morón
Perto do epicentro, em Morón, no estado de Carabobo, casas também desabaram. A prefeita Emily Riera disse à Reuters que ao menos oito pessoas morreram na área, incluindo três crianças. A região também enfrentava falta de água e energia.
O impacto dos tremores foi sentido em diferentes cidades do norte venezuelano. Em várias áreas, moradores passaram a noite nas ruas por medo de novas réplicas.
USGS projeta risco de milhares de mortes
O USGS afirmou, por meio de modelagem preditiva, que o número final de mortos provavelmente chegará aos milhares, com possibilidade relevante de ultrapassar 10 mil. Essa estimativa, porém, não é um balanço oficial de vítimas, mas uma projeção técnica usada para orientar resposta emergencial.
Um site colaborativo compartilhado por líderes da oposição venezuelana listava mais de 35 mil pessoas como não localizadas, segundo a Reuters. A agência, no entanto, afirmou que não conseguiu verificar todos os registros. Por isso, o dado deve ser tratado como indicativo preliminar da escala da crise, e não como número oficial de desaparecidos.
Por que a Venezuela foi atingida por terremotos fortes
A Venezuela fica na zona de contato entre as placas do Caribe e da América do Sul, área sujeita a atividade sísmica. Ainda assim, terremotos dessa magnitude são incomuns no país. O histórico venezuelano inclui tremores devastadores, como o de 1812, que deixou dezenas de milhares de mortos, e o de 1967, em Caracas.
A crise também expõe a fragilidade da infraestrutura venezuelana após anos de dificuldades econômicas. Hospitais, serviços de emergência, fornecimento de energia, abastecimento de água e comunicação foram pressionados pelo impacto dos tremores e pelas réplicas registradas depois dos abalos principais.
ONU fala em esforço coletivo massivo
A ONU afirmou que será necessário um “esforço coletivo massivo” para responder ao desastre e coordena a chegada de equipes internacionais de resgate. O órgão também pediu que restrições a redes sociais sejam suspensas para facilitar o acesso da população a informações de emergência.
Os Estados Unidos prometeram ajuda e disseram que equipes de resgate e recursos médicos seriam enviados ao país. A Reuters informou que autoridades americanas também mencionaram apoio logístico do Pentágono para lidar com os danos no aeroporto de Caracas.
Brasil avalia assistência à Venezuela
O desastre provocou manifestações de solidariedade internacional. Países da América Latina, Europa e outras regiões anunciaram apoio ou preparação de ajuda humanitária. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter orientado o Itamaraty a avaliar a situação na Venezuela e estudar medidas de assistência que o Brasil poderia adotar.
Para o Brasil, o impacto mais imediato envolve a situação de brasileiros que vivem ou estão temporariamente na Venezuela, além de eventual apoio humanitário a um país vizinho. A evolução do caso também pode afetar rotas aéreas, missões diplomáticas e ações regionais de resposta a desastres.
Infraestrutura de petróleo parece preservada
Apesar da destruição em áreas urbanas, a Reuters informou que a infraestrutura de petróleo parecia, até o momento, majoritariamente preservada. A Chevron disse que todos os seus funcionários foram localizados e que as operações continuavam. A Shell também informou que seus funcionários não ficaram feridos.
As autoridades venezuelanas cancelaram aulas pelo restante da semana, fecharam a bolsa de valores de Caracas e disseram que o prédio será usado nas operações de resgate. A Cruz Vermelha venezuelana afirmou que sua sede foi gravemente danificada, mas que enviou equipes para as áreas mais atingidas.



