A Venezuela chegou a ao menos 1.450 mortos após os dois terremotos que atingiram o norte do país, enquanto equipes de resgate ainda procuram sobreviventes sob os escombros em La Guaira.

O governo informou que 33 pessoas foram retiradas com vida até sábado à noite, mas quase 50 mil seguem não localizadas em uma lista colaborativa que ainda precisa ser verificada caso a caso.

O novo balanço também aponta 3.150 feridos, 12.721 deslocados e 774 prédios colapsados. A tragédia, que começou com dois tremores fortes na quarta-feira (24), avançou para uma crise humanitária com milhares de famílias sem casa, dificuldade de comunicação e busca por parentes em hospitais, necrotérios e áreas destruídas.

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Mortos chegam a 1.450

O número de mortos voltou a subir neste domingo (28), à medida que equipes entraram em áreas antes inacessíveis e corpos foram retirados de prédios destruídos. La Guaira, estado costeiro ao norte de Caracas, segue como o centro mais crítico da emergência.

A região concentra parte dos edifícios colapsados e dos relatos de pessoas soterradas. Moradores, voluntários e equipes internacionais trabalham em meio a concreto, poeira, calor e risco de novos desabamentos.

O balanço ainda não é definitivo. Autoridades e organizações humanitárias continuam cruzando dados de hospitais, equipes de resgate, familiares e estruturas de emergência.

33 pessoas são resgatadas com vida

Em meio ao avanço do número de mortos, os resgates com vida deram algum fôlego às equipes. O governo venezuelano informou que ao menos 33 pessoas foram retiradas vivas dos escombros até sábado à noite.

A Associated Press relatou o resgate de um homem e de seu filho após quatro dias presos sob os destroços. Equipes venezuelanas e estrangeiras participaram da operação, em uma das cenas de maior comoção desde o início da tragédia.

Também houve relatos de sobreviventes retirados após mais de 70 horas. Esses casos são raros, mas mantêm a mobilização em áreas onde familiares ainda acreditam ouvir sinais de pessoas presas.

Quase 50 mil seguem não localizados

Uma base colaborativa ligada à oposição venezuelana registrava pouco menos de 50 mil pessoas não localizadas neste domingo. O número caiu em relação ao dia anterior, quando a lista se aproximava de 55 mil registros.

Esse dado precisa ser tratado com cautela. A lista não equivale a um balanço oficial de desaparecidos. Parte dos nomes pode envolver pessoas sem comunicação, registros duplicados ou relatos feitos por familiares diferentes durante o colapso das redes de contato.

Ainda assim, a dimensão da base mostra a escala da angústia das famílias. Em várias regiões, moradores procuram parentes em hospitais, abrigos improvisados e necrotérios, enquanto equipes tentam organizar a identificação de vítimas.

La Guaira concentra a emergência

La Guaira virou o ponto mais sensível da resposta. O estado sofreu colapso de prédios residenciais, bloqueios em vias, danos a serviços públicos e pressão sobre hospitais e estruturas de atendimento.

A falta de maquinário pesado foi uma das principais queixas nos primeiros dias. Em alguns bairros, moradores começaram a cavar com ferramentas improvisadas antes da chegada de equipes especializadas.

O governo afirma que a região foi militarizada para organizar a circulação de veículos, a chegada de suprimentos e o trabalho dos resgatistas. A medida ocorre em meio a críticas de moradores sobre demora na resposta e dificuldade para acessar água, comida, medicamentos e abrigo.

Equipes estrangeiras reforçam as buscas

Mais de 2.600 trabalhadores estrangeiros atuam nas operações, com apoio de cães farejadores, especialistas em busca urbana, médicos, bombeiros e equipes de logística. A presença internacional cresceu conforme a destruição em La Guaira ficou mais clara.

A União Europeia anunciou ajuda emergencial de 5 milhões de euros, além do acionamento de mecanismos de proteção civil. Equipes de diferentes países também chegaram com equipamentos para localizar sobreviventes, mapear áreas destruídas e apoiar hospitais.

Os Estados Unidos, países latino-americanos e organizações humanitárias também participam da resposta. A prioridade é manter as buscas, ampliar o atendimento médico, garantir abrigo temporário e distribuir água e alimentos.

Necrotérios e hospitais sob pressão

A escala da tragédia pressionou hospitais, necrotérios e estruturas de identificação de corpos. Em Caracas, famílias passaram a circular entre unidades de saúde e serviços de medicina legal em busca de informações sobre parentes desaparecidos.

O processo de identificação pode levar tempo, especialmente quando vítimas são retiradas de prédios destruídos sem documentação ou quando famílias não conseguem chegar aos locais de atendimento.

A situação também expõe a fragilidade de serviços públicos em um país que já enfrentava dificuldades econômicas e infraestrutura deteriorada antes dos terremotos.