O jatinho particular que transportou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da Argentina aos Estados Unidos pertence à frota da Baires Fly, empresa argentina citada em uma investigação judicial sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos. A identificação da companhia abriu novas perguntas sobre quem organizou e financiou a fuga do senador, proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de deixar o Brasil.

A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, transportou Flávio, sua esposa e as duas filhas. Segundo a imigração argentina, a família atravessou a fronteira terrestre às 22h50 de terça-feira (27) e embarcou em Puerto Iguazú com destino ao Equador, antes de seguir para Miami.

Um manifesto de voo obtido pelo jornal argentino La Nación registra os quatro passageiros, três tripulantes e os dados da aeronave utilizada na operação.

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Por que a Baires Fly está sob investigação?

A empresa aparece em uma investigação judicial sobre possíveis desvios de recursos da Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), órgão argentino responsável por políticas de atendimento a pessoas com deficiência.

O caso envolve suspeitas de irregularidades na compra de medicamentos e equipamentos, além da utilização de empresas privadas para movimentar dinheiro proveniente dessas contratações.

Um dos investigados é o empresário Sergio Mastropietro, ligado à Baires Fly. Segundo decisões judiciais divulgadas pela imprensa argentina, empresas fornecedoras da ANDIS realizaram transferências para a companhia aérea, que posteriormente emitiu faturas referentes a serviços de aviação.

Os investigadores suspeitam que parte dessas operações tenha servido para disfarçar a origem de recursos desviados.

A Justiça argentina chegou a determinar um bloqueio patrimonial contra a Baires Fly. Em fevereiro de 2026, um tribunal de apelações manteve a necessidade de uma garantia, mas ordenou recalcular o valor do bloqueio por considerá-lo excessivo.

A companhia também já transportou Javier Milei. Em novembro de 2023, antes de assumir a Presidência argentina, ele utilizou outra aeronave da Baires Fly em uma viagem aos Estados Unidos.

Deputada pede investigação e quer saber quem pagou pelo voo

A deputada argentina Marcela Pagano, ex-aliada de Milei, apresentou nesta quarta-feira (28) uma denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú para investigar as circunstâncias da viagem de Flávio Bolsonaro.

Pagano solicitou a preservação de imagens de câmeras, registros de imigração, listas de passageiros, planos de voo e do contrato de fretamento. Ela também quer apurar se agentes públicos argentinos facilitaram a operação.

A suspeita de participação governamental ganhou força após o La Nación relatar que contatos próximos ao entorno de Santiago Caputo, assessor influente de Milei, teriam participado das tratativas para contratar a aeronave. A reportagem também situou Caputo na região de Puerto Iguazú durante a partida do avião.

O envolvimento operacional de integrantes do governo argentino ainda não foi estabelecido por decisão judicial.

A questão financeira permanece aberta: quem contratou e pagou pelo jatinho que levou Flávio aos Estados Unidos?