Israel voltou a bombardear o sul do Líbano entre a noite de quarta-feira (5) e a madrugada desta quinta-feira (6), após uma explosão matar dois soldados israelenses durante uma operação militar em Majdal Zoun.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que oito pessoas ficaram feridas nos ataques noturnos contra Burj al-Shamali, localidade situada no distrito de Tiro. A região também registrou disparos de artilharia e ataques aéreos contra outras áreas.
A explosão que matou os militares israelenses ocorreu quando uma unidade entrou em uma estrutura durante uma operação de segurança. Outros quatro soldados ficaram gravemente feridos, de acordo com as Forças Armadas de Israel.
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A natureza do explosivo e o momento em que ele foi instalado continuam sob investigação. Não está esclarecido se o dispositivo foi colocado antes ou depois do início da atual trégua. O Hezbollah não reivindicou o episódio.
Ataques se espalham pelo sul do Líbano
Após a explosão, Israel lançou ataques contra diferentes localidades do sul libanês. Burj al-Shamali foi atingida quatro vezes durante a madrugada, primeiro por drones e depois por uma aeronave militar.
Também foram registrados bombardeios na área entre Mansouri e Majdal Zoun, enquanto Mansouri foi atingida por artilharia e disparos de tanques. Horas antes, a artilharia israelense já havia alcançado Al-Hanniyeh e outras localidades próximas de Tiro.
Em uma ofensiva anterior realizada na quarta-feira, um ataque contra Tebnine deixou uma pessoa morta e outras 12 feridas, segundo as autoridades libanesas. Somados aos oito feridos durante a madrugada, os episódios citados deixaram ao menos uma pessoa morta e 20 feridas no lado libanês.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano, a Unifil, informou ter registrado 113 projéteis disparados pelas forças israelenses na quarta-feira. Foi o maior número contabilizado em um único dia desde 21 de junho.
Origem do explosivo ainda é investigada
As Forças Armadas de Israel inicialmente classificaram a explosão como uma violação do cessar-fogo atribuída ao Hezbollah e afirmaram ter realizado os ataques em resposta ao episódio.
No dia seguinte, porém, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, lamentou a morte dos soldados sem responsabilizar diretamente o grupo libanês. Até a publicação, não havia uma conclusão oficial sobre a origem do dispositivo.
A trégua entre Israel e Hezbollah está em vigor desde junho, mas permaneceu marcada por bombardeios, operações militares israelenses e disputas sobre o controle do sul do Líbano.
Negociações foram afetadas pelos ataques
A nova escalada ocorreu enquanto representantes de Israel e do Líbano participavam de uma rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos em Roma.
As conversas tratam da retirada gradual das forças israelenses, da entrada do Exército libanês nas áreas desocupadas e da criação de zonas-piloto para implementar o acordo de segurança firmado em junho.
As reuniões de quarta-feira terminaram antecipadamente por causa da violência no terreno, mas foram retomadas nesta quinta-feira. O Hezbollah não participa das negociações e se opõe ao desarmamento previsto no acordo entre os governos israelense e libanês.
O episódio mostra que, embora a trégua continue formalmente em vigor, a situação na fronteira permanece instável e sujeita a novas ondas de ataques.



