A seleção do Irã deixou a América do Norte nesta terça-feira (30) após ser eliminada da Copa do Mundo de 2026 ainda na fase de grupos, encerrando uma campanha marcada por tensão política, restrições de deslocamento e críticas ao tratamento recebido durante o torneio.

A equipe estava baseada em Tijuana, no México, depois de abandonar o plano inicial de instalar sua preparação em Tucson, no Arizona. A mudança ocorreu em meio ao agravamento das relações entre Teerã e Washington e a problemas envolvendo vistos e regras de entrada nos Estados Unidos, um dos países-sede da Copa.

Segundo a AP, jogadores e integrantes da delegação iraniana deixaram o hotel em Tijuana sob despedida de torcedores locais, em um fim de campanha que misturou frustração esportiva e desgaste diplomático. O Irã terminou o Grupo G com três empates e ficou fora da fase de mata-mata após uma combinação de resultados que impediu a classificação.

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Irã agradece ao México e questiona condições

Apesar da eliminação, a seleção iraniana fez questão de agradecer à cidade mexicana que serviu como base durante a competição. Em mensagem publicada após a queda, a equipe tratou o México como uma “segunda casa” e indicou apoio ao país no restante do torneio.

O agradecimento veio acompanhado de uma crítica indireta às condições enfrentadas pela delegação. O Irã questionou se todas as seleções competiram sob os mesmos padrões profissionais e sob as mesmas condições, em referência às restrições de viagem e à obrigação de entrar nos Estados Unidos apenas em períodos curtos antes dos jogos.

Durante a primeira parte da Copa, a equipe precisou se deslocar de Tijuana para jogos em território americano e retornar ao México logo depois das partidas. As restrições foram parcialmente flexibilizadas para o último compromisso da fase de grupos, mas a delegação iraniana continuou obrigada a manter a base fora dos Estados Unidos.

Eliminação teve peso esportivo e político

Dentro de campo, o Irã ficou perto de avançar. A equipe terminou invicta, mas sem vitórias, após empates contra Bélgica, Nova Zelândia e Egito. A frustração aumentou porque um gol nos acréscimos contra os egípcios, que poderia mudar o destino da seleção, foi anulado por impedimento.

Fora de campo, a campanha foi atravessada por uma tensão constante. Integrantes da comissão e dirigentes enfrentaram dificuldades com vistos, enquanto jogadores e treinador reclamaram publicamente do que consideraram um tratamento desigual em relação às demais seleções.

A crise ganhou novo componente político após o secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, celebrar publicamente a eliminação iraniana. A federação de futebol do Irã reagiu acusando autoridades americanas de hostilidade e maus-tratos, ampliando o desgaste entre a delegação e o país-sede.

Copa expõe tensão além do futebol

O caso reforça um dos pontos mais sensíveis da Copa de 2026: o torneio não ocorre apenas dentro dos estádios. Com sedes nos Estados Unidos, México e Canadá, a competição também passou a refletir disputas sobre fronteiras, vistos, segurança e diplomacia, como já havia ocorrido na estreia do Irã em Los Angeles, marcada por protestos e tensão política.

O Irã não deixou a Copa por boicote nem por retirada voluntária. A seleção foi eliminada em campo. Mas sua saída transformou o fim da campanha em mais um capítulo da tensão entre esporte, geopolítica e organização do Mundial.