O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a atuação da entidade diante das críticas sobre problemas de visto e preços de ingressos na Copa do Mundo de 2026. A fala ocorreu na quarta-feira (10), em entrevista coletiva no Estádio Azteca, na Cidade do México, na véspera da abertura do torneio entre México e África do Sul.
Infantino foi questionado sobre o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi barrado de entrar nos Estados Unidos apesar de ter visto válido. O episódio virou um dos principais pontos de tensão antes do início da Copa, sediada por Estados Unidos, México e Canadá.
O dirigente classificou o caso como “infeliz”, mas afirmou que a FIFA não tem poder para se sobrepor a governos e forças policiais. Ele disse que a entidade tenta resolver pendências nos bastidores, mas que decisões migratórias cabem às autoridades nacionais.
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Árbitro barrado expõe limite da FIFA
O caso de Artan ganhou peso político porque a Copa de 2026 acontece em meio a regras migratórias mais duras nos Estados Unidos. Autoridades americanas disseram, que o árbitro foi impedido de entrar por supostos vínculos com “membros suspeitos de organizações terroristas”.
Infantino também rejeitou a ideia de arrependimento pela escolha dos Estados Unidos como um dos anfitriões. Para ele, problemas desse tipo são esperados em um evento da dimensão da Copa, especialmente em um torneio espalhado por três países.
Preços dos ingressos também viram alvo
Além dos vistos, Infantino defendeu a política de preços da Copa. A FIFA afirma já ter vendido mais de 6 milhões de ingressos para o torneio, que terá 48 seleções e será o maior da história em número de equipes.
Ingressos para jogos da fase de grupos começaram em US$ 140, enquanto assentos comuns para a final chegaram a ser listados por valores muito superiores. Após críticas, a FIFA disponibilizou 130 mil ingressos de US$ 60 para federações nacionais repassarem a torcedores regulares.
Infantino argumentou que preços mais baixos poderiam alimentar o mercado secundário, com revenda por valores ainda maiores. Ele também afirmou que a receita obtida pela FIFA volta para o desenvolvimento do futebol.
Copa também testa diplomacia da FIFA
Infantino citou a participação do Irã como exemplo da tentativa da FIFA de manter o torneio aberto mesmo em meio a tensões geopolíticas. A recusa dos EUA levou o Irã a montar uma base no México durante a Copa.
A fala reforça um ponto central desta edição: a primeira Copa com 48 seleções promete ser maior em escala, audiência e receita, mas também mais exposta a conflitos diplomáticos, disputas migratórias e críticas sobre acesso popular.



