Dezoito dias antes de um terremoto de magnitude 7,4 atingir a Colômbia, a Defensoría del Pueblo, órgão colombiano de defesa de direitos, havia publicado um diagnóstico sobre San José del Palmar, município de Chocó onde seria registrado o epicentro do tremor. O documento apontava uma combinação de limitações que ganhou outra dimensão depois do desastre: nenhum hospital público, uma única ambulância e problemas na principal ligação terrestre do município.

A inspeção foi realizada nos dias 15 e 16 de julho e divulgada em 23 de julho. Na área da saúde, a Defensoría constatou que San José del Palmar contava com apenas uma instituição privada prestadora de serviços de saúde e não dispunha de hospital nem de centro público de atendimento.

A única ambulância disponível no município estava em condições regulares e era usada para transportar pacientes que precisavam de atendimento de maior complexidade. Segundo a Defensoría, a estrutura era insuficiente para atender várias emergências ou realizar mais de uma transferência ao mesmo tempo.

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O terremoto ocorreu em 10 de agosto. Depois do tremor, algumas das limitações documentadas semanas antes passaram a pesar diretamente sobre o acesso ao município e a chegada de suprimentos.

Única via de acesso já apresentava problemas antes do terremoto

A inspeção da Defensoría também havia identificado dificuldades de transporte. Segundo o órgão, a única via de acesso a San José del Palmar estava em mau estado. As estradas rurais também apresentavam problemas, enquanto deslizamentos e restrições de circulação dificultavam os deslocamentos na região.

Após o terremoto, a Personería Municipal, órgão local de fiscalização e defesa de direitos, informou que as estradas de acesso estavam fechadas. No balanço divulgado nesta terça-feira (11), o município também enfrentava falta de energia elétrica, sinal de telefone e conexão com a internet.

O bloqueio das estradas afetou diretamente a resposta à emergência. Segundo a Personería, essas rotas são usadas para a entrada de medicamentos, alimentos e ajuda humanitária.

San José del Palmar também enfrentava problemas no abastecimento de água. Danos nas tubulações agravaram uma situação de racionamento que já existia antes do terremoto.

A resposta nacional ao desastre é coordenada pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres, a UNGRD. O órgão informou que equipes especializadas de busca e resgate foram mobilizadas e que autoridades locais continuavam avaliando danos em comunidades, moradias e infraestrutura.

Chocó tinha maior proporção de população em pobreza monetária do país

As limitações encontradas em San José del Palmar fazem parte de um contexto mais amplo de vulnerabilidade econômica em Chocó.

Segundo o último levantamento departamental disponível do Departamento Administrativo Nacional de Estatística, o DANE, 67,4% da população de Chocó vivia em situação de pobreza monetária em 2024. Era a maior proporção registrada entre os departamentos colombianos.

O dado não permite atribuir à pobreza ou às deficiências de infraestrutura as mortes e os danos causados pelo terremoto. Os efeitos de um sismo dependem de diferentes fatores, e as autoridades ainda avaliam a dimensão da destruição provocada pelo tremor.

Os registros anteriores, porém, mostram que San José del Palmar já enfrentava limitações importantes quando o terremoto ocorreu. O município tinha pouca capacidade de atendimento médico e dependia de uma ligação terrestre que já apresentava problemas antes da emergência.

Em julho, a Defensoría informou que buscaria articulação com autoridades nacionais, departamentais e municipais para viabilizar a construção de um hospital público em San José del Palmar.

O diagnóstico foi publicado menos de três semanas antes do maior terremoto registrado na Colômbia neste século.