Dezenas de delegados deixaram o plenário da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira (24) assim que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu à tribuna em Nova York. Depois da saída, a maior parte das cadeiras ficou vazia.
A delegação brasileira esteve entre as que participaram da saída coletiva. Funcionários do Brasil na ONU deixaram o plenário durante a fala de Netanyahu; o chanceler Mauro Vieira não estava no salão naquele momento.
A cena foi resultado de uma ação organizada. Antes do discurso, a Missão Palestina junto à ONU enviou uma mensagem a diferentes delegações pedindo que seus representantes entrassem no plenário e saíssem coletivamente quando Netanyahu fosse anunciado.
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Netanyahu reage aos delegados
Netanyahu abriu sua fala atacando os representantes que deixavam o salão. Chamou-os de “covardes morais” e afirmou que Israel também estaria defendendo países cujos diplomatas participavam do protesto.
O primeiro-ministro também rejeitou as acusações de genocídio em Gaza, classificando-as como a “maior mentira do século”. Israel sustenta que suas operações têm como alvo o Hamas e rejeita a acusação de genocídio.
Por que Gaza estava no centro do protesto
Uma comissão internacional independente criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU concluiu em setembro de 2025 que autoridades e forças israelenses cometeram genocídio contra palestinos em Gaza. Em junho deste ano, a comissão reiterou a conclusão ao analisar ataques contra crianças.
As autoridades de saúde de Gaza registravam 73.910 mortos desde 7 de outubro de 2023 até 20 de setembro. Gaza tinha cerca de 2,23 milhões de habitantes em 2023, segundo o órgão oficial palestino de estatísticas. A proporção equivale a aproximadamente 1 morto para cada 30 habitantes daquela população.
O tema também apareceu no discurso de Lula na mesma Assembleia Geral. O presidente brasileiro chamou a atuação do governo Netanyahu em Gaza de genocídio e, na sequência, condenou os ataques terroristas do Hamas.
Protestos também ocorreram nas ruas
Do lado de fora da ONU, manifestações contra Netanyahu bloquearam ruas de Manhattan. O Departamento de Polícia de Nova York informou que 103 pessoas foram detidas por desordem pública e posteriormente liberadas. Horas depois, outro ato marchou em direção à sede das Nações Unidas.



