Uma ameaça de que o avião presidencial dos Estados Unidos pudesse ser atingido por um míssil portátil levou o Serviço Secreto a retirar secretamente Donald Trump da aeronave em que ele havia embarcado diante das câmeras na Turquia. A operação ocorreu em 8 de julho, após a cúpula da Otan em Ancara, e novos detalhes divulgados nesta quarta-feira (12) mostram que o risco foi considerado crível e iminente pelos responsáveis pela segurança presidencial.

Trump acabou deixando a Turquia em um C-32A, avião menor da Força Aérea americana, enquanto a aeronave que aparentava transportar o presidente decolou separadamente com integrantes do alto escalão do governo, funcionários da Casa Branca e jornalistas. Entre os passageiros estavam o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário do Tesouro Scott Bessent.

O episódio amplia a dimensão das ameaças contra Trump em meio ao confronto entre Estados Unidos e Irã e também abriu questionamentos em Washington sobre a segurança das pessoas que permaneceram no avião usado como isca.

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Como Trump saiu do avião sem ser visto

Trump havia embarcado publicamente na grande aeronave presidencial em Ancara. Pouco depois, porém, um caminhão usado para serviços de alimentação no aeroporto foi posicionado junto ao avião.

O presidente e um pequeno grupo de auxiliares passaram pelo veículo e foram levados até um C-32A, uma versão militar do Boeing 757 utilizada pelo governo americano. O grupo deixou a Turquia nessa aeronave e seguiu até a Inglaterra.

A operação precisou ser organizada com pouco tempo de antecedência. Segundo uma pessoa informada sobre o caso, o alerta surgiu no último dia da visita e o Serviço Secreto estava tentando responder ao que avaliava como uma ameaça imediata. A origem da inteligência não foi revelada.

Trump confirmou nesta semana que a mudança ocorreu por orientação dos responsáveis por sua segurança.

“Eu sigo o Serviço Secreto e os militares”, afirmou o presidente ao ser questionado sobre o episódio.

Trump disse que sabia da existência de uma ameaça, mas afirmou não ter buscado muitos detalhes naquele momento.

Rubio e Bessent seguiram no outro avião

Enquanto Trump seguia no C-32A, a aeronave que havia sido apresentada como seu avião presidencial partiu de Ancara levando parte importante da comitiva.

Marco Rubio, Scott Bessent, o diretor de Comunicações da Casa Branca Steven Cheung, outros assessores e um grupo de 13 jornalistas estavam a bordo. Rubio havia sido informado sobre a manobra, segundo a pessoa ouvida sobre a operação.

A CBS News informou que Rubio e Bessent sabiam que Trump estava em outra aeronave. Já o secretário da Defesa, Pete Hegseth, acompanhou o presidente no voo secreto. Também seguiram com Trump Dan Scavino, Natalie Harp e Walt Nauta.

A presença de autoridades e jornalistas no avião que mantinha a aparência de transportar o presidente passou a alimentar questionamentos sobre o risco enfrentado pela comitiva caso a ameaça tivesse sido executada.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, pediu que o Congresso receba informações sobre a ameaça e sobre a operação. Ele afirmou que parlamentares souberam do episódio pela imprensa e cobrou explicações da Casa Branca.

Jornalistas receberam ordem para fechar as janelas

Os jornalistas que acompanhavam Trump acreditavam que o presidente estava viajando no mesmo avião.

Antes da decolagem em Ancara, funcionários da Casa Branca orientaram o grupo a manter fechadas as persianas das janelas, atribuindo o pedido ao Serviço Secreto. Só semanas depois ficou claro que a medida ajudava a impedir que a transferência do presidente para outra aeronave fosse observada.

Quando o avião chegou à base de Mildenhall, na Inglaterra, Trump já havia chegado em separado. Ele então retornou secretamente à aeronave usada na operação e apareceu descendo dela diante da comitiva, preservando a impressão de que havia feito o trajeto desde a Turquia naquele avião. Depois, embarcou no Boeing 747 recebido do Catar para continuar a viagem aos Estados Unidos.

A própria Casa Branca mantém em seu arquivo oficial um vídeo daquele 8 de julho identificado como uma conversa de Trump com jornalistas “no Air Force One” em Mildenhall.

Qual avião era realmente o Air Force One?

A operação também produziu uma situação incomum envolvendo o próprio nome Air Force One.

Air Force One não é, tecnicamente, o nome de um único avião. É o indicativo de rádio utilizado sempre que o presidente dos Estados Unidos está a bordo de uma aeronave da Força Aérea americana. A própria Força Aérea explica que qualquer aeronave sob seu comando passa a usar esse indicativo enquanto transporta o presidente.

Isso significa que, depois que Trump deixou a grande aeronave em Ancara, ela tecnicamente deixou de ser Air Force One. O C-32A que passou a transportar Trump é que assumiria o indicativo presidencial durante o voo.

Apesar disso, a aeronave usada como isca continuou sendo apresentada publicamente como Air Force One, segundo relatos sobre a operação.