O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (13) o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e a retirada do vínculo com o Partido Missão que havia sido inserido no cadastro da Justiça Eleitoral. A decisão removeu o obstáculo que havia impedido a equipe do candidato de concluir o registro de sua candidatura à Presidência durante a manhã.

A correção, porém, não encerra o caso. O TSE descartou que a alteração tenha ocorrido por um hackeamento do sistema de filiação partidária e informou que houve uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais da legenda para efetivar filiações. Nunes Marques também determinou providências para a abertura de investigação sobre o episódio.

Com a candidatura novamente vinculada ao PL, a principal questão passa a ser outra: quem realizou a operação que colocou Flávio no partido de um de seus adversários na disputa presidencial, e por quê?

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O que aconteceu com a filiação

A inconsistência foi descoberta quando a campanha de Flávio preparava o registro da candidatura. Uma certidão da Justiça Eleitoral apontava que sua filiação ao PL havia terminado em 12 de agosto e que, na mesma data, ele havia ingressado no Missão, legenda que já tem Renan Santos como candidato à Presidência.

A equipe de Flávio classificou a filiação como fraudulenta e acionou o TSE. Mais tarde, o tribunal afastou a hipótese de invasão de seu sistema e informou que a operação havia sido realizada a partir de credenciais vinculadas à legenda. A afirmação não identifica quem utilizou essas credenciais nem estabelece que a direção do Missão tenha autorizado a operação.

O próprio Missão afirma ter sido vítima. Em nota publicada por Renan Santos, o partido disse que detectou uma tentativa de filiação fraudulenta e que tentou cancelar a operação. Segundo a legenda, o gabinete de Flávio foi avisado sobre a tentativa desde 2 de agosto, e os e-mails enviados teriam sido abertos, mas não respondidos.

O partido afirmou ainda que pretende fornecer às autoridades um relatório com registros de acesso, e-mails e endereços IP para ajudar a identificar os responsáveis. Até esta publicação, não havia identificação pública do autor da operação.

Renan Santos soube do caso durante live

Renan Santos e o deputado federal Kim Kataguiri estavam em uma transmissão ao vivo quando receberam a informação de que Flávio aparecia filiado ao Missão.

Kim disse durante a transmissão que Flávio não havia conseguido registrar a candidatura porque havia sido filiado ao partido. Renan pediu que não fizessem aquilo e afirmou que poderia derrotar Flávio “de outro jeito”.

A reação ocorreu antes de estar esclarecido publicamente como a alteração havia sido feita.

Flávio atribuiu episódio ao “sistema”

Flávio também publicou um vídeo depois da descoberta. Ele afirmou que sua filiação havia sido fraudada e disse que “o sistema vai tentar de tudo para me parar”. Na publicação que acompanha o vídeo, acrescentou que “mais uma vez o sistema armou para tentar me derrubar”.

A manifestação ocorreu antes de o TSE divulgar que não havia identificado hackeamento de seu sistema e que a filiação tinha sido efetivada com o uso indevido de credenciais da legenda.

A referência ao “sistema” aparece em um contexto no qual Flávio já vinha levantando questionamentos sobre aspectos do processo eleitoral. Em 21 de julho, durante uma reunião com diplomatas estrangeiros, o candidato relacionou as urnas brasileiras à Smartmatic, empresa que forneceu equipamentos eleitorais à Venezuela. O TSE afirmou que a Smartmatic nunca forneceu as urnas utilizadas no Brasil. Na ocasião, a campanha de Flávio disse que ele não colocava em dúvida a integridade das eleições brasileiras.

O que a investigação precisa esclarecer

A manifestação do TSE reduz uma das possibilidades inicialmente levantadas: segundo o tribunal, seu sistema de filiação não foi invadido.

Permanece sem resposta quem teve acesso às credenciais utilizadas para efetivar a operação, se houve uso não autorizado de uma conta legítima, como os dados de Flávio foram inseridos e qual foi a motivação.

Também será necessário esclarecer a sequência relatada pelo Missão. A legenda afirma ter detectado uma tentativa já em 2 de agosto, enquanto o vínculo apareceu formalmente na certidão eleitoral em 12 de agosto. A campanha de Flávio questionou a explicação e pediu que o episódio seja investigado.

A decisão de Kassio Nunes Marques resolveu a consequência imediata para o candidato ao restabelecer sua filiação ao PL. A autoria da alteração que originou o caso, no entanto, continua aberta.