O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (25) a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A decisão ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) rejeitarem a segunda tentativa de delação premiada apresentada pelo investigado no caso Banco Master.
Vorcaro estava preso nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 4 de março, quando voltou a ser alvo da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
Na mesma decisão, Mendonça negou o pedido da defesa para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar. O ministro seguiu manifestações da PGR e da PF. Segundo a decisão, os dados reunidos na investigação indicam movimentações financeiras compatíveis com “estratégias de ocultação, blindagem ou deslocamento patrimonial”.
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A Papudinha é uma unidade usada para presos especiais, como policiais militares, advogados e magistrados. De acordo com a Agência Brasil, o local tem quartos sem grades, cozinha e banheiros comunitários, além de área aberta para banho de sol. Mendonça apontou que a transferência busca retirar Vorcaro das instalações da PF e, ao mesmo tempo, preservar a segurança do investigado.
Delação perde força no caso Master
A transferência ocorre em um momento de esvaziamento da estratégia de colaboração premiada de Vorcaro. A PGR rejeitou em 15 de junho a segunda proposta de delação do banqueiro. Antes disso, em 11 de junho, a Polícia Federal também havia recusado a nova tentativa de acordo.
Segundo a Agência Brasil, investigadores concluíram que Vorcaro não apresentou novidades em relação ao material já apreendido e não assumiu a prática de crimes. Com a negativa da PGR, a segunda tentativa de acordo ficou encerrada no âmbito institucional.
A colaboração premiada costuma depender da utilidade concreta das informações apresentadas, da capacidade de comprovação e da indicação de fatos novos para a investigação. No caso de Vorcaro, a avaliação de PF e PGR foi de que a proposta não avançou o suficiente para justificar um acordo.
Caso também envolve o BRB
A investigação sobre o Banco Master também alcança o BRB. Nesta quinta-feira, a PGR rejeitou a proposta de delação do ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa, outro investigado no caso.
A procuradoria entendeu que a defesa de Costa não apresentou elementos novos em relação ao que já havia sido descoberto pela Polícia Federal nem indicou valores que poderiam ser ressarcidos aos cofres públicos. Costa foi preso em abril, na quarta fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com as investigações citadas pela Agência Brasil, Costa teria combinado com Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina, que seria repassada por meio de imóveis. Ele nega as acusações.
Pressão jurídica continua
A decisão de Mendonça mantém Vorcaro preso preventivamente e muda o local de custódia do banqueiro em meio ao avanço das investigações. Sem acordo de delação aceito por PF e PGR, o caso segue concentrado nas provas já reunidas pela investigação e nas decisões do STF.
O episódio reforça a dimensão jurídica e política do caso Master, que envolve suspeitas sobre o sistema financeiro, o papel do BRB e possíveis conexões com autoridades públicas. Até o momento, a negativa das delações indica que os investigadores não consideraram as propostas suficientes para abrir uma nova etapa de colaboração formal.



