Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou um grupo extremista que discutia ataques durante o período eleitoral de 2026, incluindo ações contra prédios públicos em Brasília. Conversas obtidas pelos investigadores apontam o Palácio do Planalto entre os alvos e mencionam também um possível atentado durante um debate presidencial do segundo turno.
Os novos detalhes foram revelados pelo Fantástico neste domingo (9), após o programa ter acesso às conversas dos investigados e a um relatório do Ministério da Justiça. A Operação Rede Interrompida havia sido deflagrada cinco dias antes, em 4 de agosto.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a rede utilizava comunidades no Telegram para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar integrantes e discutir atos violentos. O órgão afirma que havia planejamento de ataque a prédios da Esplanada dos Ministérios em outubro, durante o período eleitoral.
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A operação, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal a partir de informações produzidas pelo Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, cumpriu mandados de busca e apreensão contra oito investigados.
Planalto aparece entre os alvos
As informações reunidas na investigação mostram que as discussões não se limitavam a ameaças genéricas na internet.
Durante a apresentação da operação, a Polícia Civil informou que as comunicações analisadas incluíam seleção de possíveis alvos, recrutamento de participantes, análise de mapas e referências à invasão de edifícios públicos. Também haviam sido compartilhados materiais relacionados à fabricação de explosivos e plantas de prédios da região central de Brasília.
Entre os locais analisados estava o Palácio do Planalto, sede da Presidência da República.
O material revelado posteriormente pelo Fantástico acrescentou outro componente ao planejamento: segundo a investigação, um dos objetivos discutidos pelo grupo era realizar um atentado durante um debate presidencial.
A reportagem não identifica qual emissora ou qual debate do segundo turno estaria sendo considerado como alvo.
Investigação apura até onde plano avançou
Apesar do nível de detalhamento das conversas, as informações divulgadas até agora não demonstram que os investigados já tivessem preparado ou instalado explosivos nos locais mencionados.
Após o cumprimento dos mandados, os investigadores passaram a analisar celulares, computadores e outros materiais apreendidos para identificar quanto do planejamento discutido pela internet havia avançado para preparativos concretos.
Na operação de 4 de agosto, não houve pedido de prisão contra os investigados.
A investigação apura crimes como associação criminosa, incitação ao crime e delitos relacionados à legislação contra o racismo. O Ministério da Justiça também relaciona a rede à disseminação de conteúdo neonazista, antissemita e misógino.
Plano entra no período eleitoral
O calendário apontado pelos investigadores coloca o caso diretamente no contexto das Eleições 2026. O próprio Ministério da Justiça informou que os ataques discutidos pelo grupo estavam previstos para outubro, durante o período eleitoral.
A menção específica a um debate presidencial do segundo turno amplia o impacto do caso para além da segurança dos prédios públicos de Brasília e coloca eventos da campanha eleitoral entre os possíveis alvos analisados pelos investigadores.
A Operação Rede Interrompida continua sob investigação para identificar a extensão da rede, o envolvimento de cada investigado e se algum dos planos discutidos chegou a sair da fase de preparação.



