O ex-presidente Jair Bolsonaro chamou o senador Flávio Bolsonaro de seu “porta-voz” e pediu que apoiadores deixem de lado possíveis diferenças para trabalhar pela pré-candidatura do filho à Presidência da República.

A mensagem consta em uma carta divulgada por Flávio neste sábado, 11 de julho, depois de uma visita ao pai. O senador leu o documento durante uma transmissão realizada em suas redes sociais.

No texto, Bolsonaro afirma que o momento exige “deixarmos de lado as possíveis diferenças” e pede empenho em torno de Flávio, apresentado como seu pré-candidato ao Palácio do Planalto.

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Bolsonaro também declarou confiar no filho para conduzir o grupo político e o definiu como “meu porta-voz”. A carta termina com um pedido de mobilização conjunta dos apoiadores.

Carta dá a Flávio papel além da candidatura

O apoio de Jair Bolsonaro à pré-candidatura do filho não começou agora. Em dezembro de 2025, outra carta atribuída ao ex-presidente já havia apresentado Flávio como o nome escolhido para representar seu campo político na eleição presidencial.

O principal avanço do documento divulgado neste sábado está na definição de Flávio como porta-voz. A expressão atribui ao senador uma função que vai além da condição de pré-candidato: falar em nome do pai e organizar publicamente a orientação política do grupo.

Depois da leitura, Flávio afirmou que recebeu de Bolsonaro a missão de evitar “falas conflitantes” durante a pré-campanha. Segundo o senador, a carta representa um pedido de união entre aliados e apoiadores.

O papel de porta-voz citado no documento não corresponde a um cargo formal no PL. Politicamente, porém, reforça a tentativa de Flávio de assumir a condução do bolsonarismo durante a disputa eleitoral.

Recado chega após crise com Michelle

A carta foi divulgada depois de uma sequência de divergências públicas entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A crise se tornou pública durante uma disputa sobre articulações eleitorais do PL no Ceará. Michelle afirmou que havia sido desrespeitada pelo enteado, enquanto Flávio reagiu defendendo suas decisões e sua atuação política.

Dias depois, Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher. A saída ampliou as dúvidas sobre sua participação na pré-campanha de Flávio e sobre a divisão de espaço entre integrantes da família Bolsonaro.

A nova carta não cita Michelle e não informa se houve uma reconciliação. O pedido para que diferenças sejam deixadas de lado, no entanto, ocorre em meio ao esforço para impedir que disputas internas continuem interferindo na pré-candidatura.

Bolsonaro busca reduzir disputa pelo comando

Ao apresentar Flávio como seu porta-voz, Jair Bolsonaro procura deixar mais claro quem deve transmitir suas posições durante a campanha e exercer a liderança política em seu nome.

A definição também pode reduzir o espaço para declarações divergentes entre familiares, dirigentes do PL e aliados regionais. Flávio passa a usar a carta como uma autorização direta para coordenar o discurso da pré-campanha.

O documento reforça ainda a tentativa de transformar o apoio pessoal de Bolsonaro em uma estrutura política organizada em torno do senador.

Flávio já era o pré-candidato apoiado pelo pai. A novidade agora é a tentativa de consolidá-lo também como a voz autorizada de Jair Bolsonaro dentro da disputa eleitoral de 2026.