Os Estados Unidos disseram nesta sexta-feira (8) que esperam uma resposta do Irã a uma nova proposta para encerrar a guerra no Golfo, em meio a uma nova rodada de confrontos no Estreito de Ormuz e ataques contra os Emirados Árabes Unidos.
A tensão ocorre apesar de Donald Trump afirmar que o cessar-fogo continua em vigor.
Segundo a Reuters, Washington aguarda uma posição de Teerã sobre uma proposta que encerraria formalmente o conflito antes da discussão de temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que esperava uma resposta ainda nesta sexta-feira, enquanto o governo iraniano afirmou que ainda avaliava o plano.
A escalada mais recente coloca o cessar-fogo sob novo teste. A Reuters informou que forças americanas e iranianas voltaram a trocar fogo na região do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia. O Comando Central dos Estados Unidos afirmou que três destróieres americanos foram alvo de mísseis, drones e pequenas embarcações iranianas durante a passagem pelo estreito, mas disse que nenhum ativo dos EUA foi atingido.
O Irã, por sua vez, acusa os Estados Unidos de violarem a trégua. Autoridades iranianas afirmaram que forças americanas teriam atacado um petroleiro iraniano, outro navio e áreas civis na ilha de Qeshm e em regiões costeiras próximas ao estreito. A versão iraniana também diz que houve resposta contra embarcações militares americanas. O Comando Central dos EUA nega que ativos americanos tenham sido atingidos.
A crise também se estendeu aos Emirados Árabes Unidos. Segundo a Reuters, o país afirmou que suas defesas aéreas reagiram a dois mísseis balísticos e três drones lançados pelo Irã. Três pessoas tiveram ferimentos moderados, de acordo com as autoridades emiradenses citadas pela agência.
O episódio ocorre em um momento de forte disputa pelo controle das rotas marítimas do Golfo. O Comando Central dos EUA afirmou nesta sexta-feira que desabilitou dois petroleiros de bandeira iraniana no Golfo de Omã, alegando que as embarcações tentavam entrar em um porto iraniano em violação ao bloqueio americano. Segundo o órgão, os navios M/T Sea Star III e M/T Sevda foram impedidos de seguir para o Irã.
Apesar da nova troca de ataques, a via diplomática não foi abandonada. O vice-presidente americano, JD Vance, se reuniu em Washington com o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, para discutir negociações com o Irã, estabilidade regional e mercados de gás natural liquefeito.
Essa movimentação reforça o peso do Catar como ator regional em uma crise que mistura segurança, energia e negociação diplomática. Também indica que Washington tenta preservar canais de diálogo enquanto mantém pressão militar sobre Teerã no Golfo.
Para o Brasil, o impacto direto ainda depende da duração e da intensidade da crise. Mas a instabilidade em Ormuz importa porque a região concentra uma parte relevante do comércio global de petróleo e gás. A Reuters informou que o Brent ficou acima de US$ 101 por barril em meio aos confrontos, embora ainda acumulasse queda na semana.
Uma escalada prolongada poderia aumentar a pressão sobre preços internacionais de energia, fretes, dólar e expectativas de inflação. Por isso, a crise no Golfo não é apenas um episódio militar distante: ela também pode afetar mercados globais acompanhados de perto pelo Brasil.
A nova rodada amplia a sequência de tensão em Ormuz, tema que o Trendahora já vem acompanhando em coberturas sobre ataques a navios, bloqueios marítimos, petróleo e risco de impacto econômico. O ponto central agora é se a resposta iraniana à proposta americana abrirá espaço para uma negociação real ou se os confrontos no Golfo continuarão esvaziando o cessar-fogo na prática.



