O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (30) que considera os atuais líderes do Irã “muito razoáveis”, ao mesmo tempo em que fez novas ameaças diretas contra a infraestrutura energética do país em meio à guerra no Oriente Médio.
A declaração foi feita após o Irã rejeitar propostas de paz enviadas por intermediários. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, classificou as propostas como “irrealistas, ilógicas e excessivas” e afirmou que o país está concentrado em se defender diante do que chamou de agressão militar.
Em publicação nas redes sociais, Trump disse que os Estados Unidos estão em conversas com um “regime mais razoável” para encerrar o conflito. No mesmo texto, porém, ameaçou destruir “usinas de geração de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg” caso não haja acordo e o Estreito de Ormuz não seja reaberto imediatamente para o comércio.
O presidente americano também mencionou a possibilidade de ataques contra instalações de dessalinização responsáveis pelo abastecimento de água potável no Irã.
Pressão sobre Ormuz e impacto global
O Estreito de Ormuz permanece no centro da crise. O impacto já aparece nos mercados: o petróleo Brent subiu para US$ 113,23 por barril, após alta de 4,2% na sexta-feira, caminhando para um dos maiores avanços mensais recentes.
Além de Ormuz, cresce a preocupação com outra rota estratégica. Ataques recentes dos houthis levantaram o risco de ameaça também ao estreito de Bab el-Mandeb, ampliando a pressão sobre o comércio global.
Tentativa de negociação com mediação internacional
Enquanto o conflito se intensifica, surgem sinais de tentativa de mediação. O Paquistão está atuando para tentar aproximar as partes e se ofereceu para facilitar negociações.
Segundo um funcionário de segurança paquistanês, conversas diretas entre Estados Unidos e Irã ainda parecem improváveis nesta semana, mas o país afirma que trabalha para viabilizar o diálogo “o mais rápido possível”.
As propostas de paz chegaram a Teerã após reuniões entre chanceleres de Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Turquia.
Escalada militar continua
Mesmo com sinais de possível negociação, os combates seguem intensos.
Israel afirmou que o Irã lançou ondas de mísseis contra seu território. Também foram interceptados drones vindos do Iêmen, dois dias após os houthis entrarem diretamente na guerra com ataques contra Israel.
No Líbano, o Hezbollah disparou foguetes contra território israelense, enquanto Israel respondeu com ataques contra alvos que classificou como infraestrutura militar em Teerã e também em Beirute.
Destroços de um míssil interceptado atingiram uma área industrial e um tanque de combustível próximo à principal base naval israelense em Haifa, segundo autoridades locais.
Possibilidade de operação terrestre
Outro ponto em destaque é a possibilidade de uma escalada ainda maior.
Segundo relatos citados no contexto do conflito, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam tomar a ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações de petróleo do Irã. A operação exigiria presença de tropas terrestres.
O Departamento de Defesa dos EUA já está enviando milhares de soldados adicionais ao Oriente Médio, o que amplia as opções militares disponíveis, embora não haja confirmação de decisão final para uma ofensiva terrestre.
Situação da guerra
O conflito, que começou há cerca de um mês com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, já se expandiu pela região, com envolvimento de múltiplos atores e impactos diretos sobre energia e economia global.
Relatos indicam que a maioria das mortes ocorreu no Irã e no Líbano, com grande número de vítimas civis.



