Autoridades dos Emirados Árabes Unidos afirmaram neste domingo (17) que um ataque com drone causou um incêndio em um gerador elétrico fora do perímetro interno da usina nuclear de Barakah, na região de Al Dhafra, em Abu Dhabi.

Segundo as autoridades locais, não houve feridos e os níveis de segurança radiológica não foram afetados. A informação foi divulgada em meio a um novo momento de tensão no Golfo, enquanto seguem as incertezas sobre a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel e o impasse em torno do Estreito de Ormuz.

A autoridade nuclear dos Emirados, a FANR, afirmou que o incêndio não comprometeu a segurança da usina nem a prontidão dos sistemas essenciais. O órgão também disse que todas as unidades da instalação seguem operando normalmente.

A Reuters informou que os Emirados investigam a origem do ataque. O Ministério da Defesa do país disse que outros dois drones foram neutralizados e que os equipamentos teriam sido lançados a partir da “fronteira oeste”, sem detalhar a localização exata.

A Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, acompanha a situação e pediu máxima contenção militar nas proximidades de qualquer usina nuclear. Segundo a agência, geradores a diesel de emergência estavam fornecendo energia à unidade 3 da planta.

O caso chama atenção porque Barakah é uma instalação estratégica para os Emirados Árabes Unidos e fica em uma região já pressionada por ataques, bloqueios, tensão diplomática e disputa por rotas de energia. Até o momento, as autoridades emiradenses não apontaram publicamente um responsável pelo ataque.

A usina nuclear de Barakah é a primeira do tipo no mundo árabe e tem papel importante na matriz elétrica dos Emirados. O episódio, mesmo sem vazamento ou dano radiológico confirmado, amplia a preocupação internacional com o risco de infraestrutura civil sensível ser atingida em meio à escalada regional.

Para o Brasil, o impacto direto é limitado, mas a tensão no Golfo segue relevante pelo efeito potencial sobre petróleo, rotas marítimas, dólar e preços internacionais de energia. O tema se conecta ao acompanhamento do Trendahora sobre Oriente Médio, Estreito de Ormuz e os reflexos econômicos da crise para mercados globais.