Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (6) que pediu ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, uma revisão do cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, durante a vitória americana sobre a Bósnia e Herzegovina na Copa do Mundo de 2026.

A declaração ampliou a crise em torno da decisão disciplinar da FIFA, que suspendeu a aplicação da punição automática de um jogo e liberou Balogun para enfrentar a Bélgica pelas oitavas de final. O caso passou a envolver não apenas a seleção americana, mas também a governança da FIFA, a reação da UEFA e questionamentos da federação belga.

A U.S. Soccer informou que Balogun ficou disponível para a partida contra a Bélgica depois que os órgãos judiciais da FIFA aplicaram o artigo 27 do Código Disciplinar. O jogador havia recebido cartão vermelho direto no jogo anterior e, inicialmente, estava sujeito a suspensão automática na partida seguinte.

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A decisão atribuída ao Comitê Disciplinar da FIFA impôs uma suspensão de um jogo por infrações aos artigos 14 e 66 do Código Disciplinar, mas suspendeu a aplicação da punição por um período probatório de um ano. Se Balogun cometer nova infração semelhante nesse intervalo, a suspensão poderá ser restabelecida, sem prejuízo de nova sanção.

Por que a decisão virou crise

O ponto central da controvérsia está na combinação de duas regras do próprio Código Disciplinar da FIFA. O artigo 66 afirma que uma expulsão gera suspensão automática na partida seguinte. Já o artigo 27 permite que um órgão judicial suspenda total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar e imponha período probatório de um a quatro anos.

A UEFA reagiu dizendo que a FIFA cruzou uma “linha vermelha” ao suspender a punição automática durante a competição. Para a entidade europeia, a suspensão mínima após um cartão vermelho não deveria ser tratada como uma opção discricionária em meio ao torneio.

A federação belga também contestou a condução do caso. A Bélgica enfrenta os Estados Unidos nas oitavas e questionou a elegibilidade de Balogun para a partida, alegando falta de transparência e ausência de uma decisão fundamentada comunicada de forma adequada.

Trump, Infantino e o peso político da Copa

Trump disse que pediu a Infantino uma revisão porque considerou injusta a expulsão de Balogun. O presidente americano afirmou que não ordenou uma decisão específica à FIFA, mas defendeu que o lance não deveria resultar em punição para o jogo seguinte.

A fala ganhou peso porque os Estados Unidos são um dos países-sede da Copa de 2026, ao lado de México e Canadá. A relação pública entre Trump e Infantino já vinha sendo observada durante a organização do torneio, e o caso Balogun colocou a independência dos órgãos disciplinares da FIFA no centro da discussão.

A FIFA, por sua vez, sustenta que seus órgãos judiciais operam com autonomia e aplicam o Código Disciplinar de acordo com os regulamentos e os fatos de cada caso. A liberação de Balogun, porém, abriu uma disputa sobre consistência, precedentes e tratamento igualitário entre seleções.

Conexão com o Brasil

O caso também tem um componente brasileiro. O cartão vermelho foi aplicado pelo árbitro Raphael Claus, após revisão de vídeo. Trump criticou a arbitragem do lance, o que ampliou a repercussão para além da seleção americana e levou uma decisão tomada em campo por um árbitro brasileiro ao centro de uma disputa institucional na Copa.