Donald Trump afirmou nesta quinta-feira, 14 de maio, que a China aceitou comprar 200 jatos da Boeing durante a cúpula com Xi Jinping em Pequim.

O anúncio deu ao presidente americano um resultado comercial concreto para apresentar em meio às negociações com o governo chinês, mas a reação do mercado foi negativa.

Segundo a Reuters, os detalhes do acordo não estavam imediatamente disponíveis, incluindo quais modelos seriam comprados e qual seria o cronograma de entrega. As ações da Boeing caíram 4,1% após o anúncio, em sinal de frustração com o tamanho do pedido.

O ponto sensível é que o número anunciado por Trump ficou abaixo das expectativas anteriores. Fontes haviam dito à Reuters que as conversas antes da reunião envolviam cerca de 500 aviões, incluindo modelos 737 MAX e, possivelmente, aeronaves maiores.

Anúncio dá resultado a Trump, mas frustra mercado

A compra de 200 jatos é relevante para a Boeing e para a diplomacia comercial dos Estados Unidos. Ainda assim, o mercado esperava um pacote maior, especialmente porque a visita de Trump à China vinha sendo tratada como uma oportunidade para destravar grandes compras chinesas de produtos americanos.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, havia dito mais cedo que esperava um anúncio de grandes pedidos chineses de aeronaves da Boeing durante a visita de Trump. Bessent também citou discussões envolvendo energia, produtos agrícolas e possíveis investimentos chineses em áreas não estratégicas dos Estados Unidos.

A reação das ações mostra que investidores avaliaram o anúncio menos como uma vitória plena e mais como um acordo abaixo do potencial esperado. A leitura é que Pequim entregou um sinal comercial positivo a Trump, mas sem oferecer o pacote amplo que vinha sendo discutido nos bastidores.

China usa compra de aviões como gesto diplomático

Grandes pedidos de aviões costumam ter peso político nas relações entre Estados Unidos e China. A última grande encomenda chinesa à Boeing ocorreu durante a viagem de Trump a Pequim em novembro de 2017, quando a China concordou em comprar 300 jatos.

Desde então, a relação comercial mudou. A disputa entre Washington e Pequim envolveu tarifas, tecnologia, semicondutores, cadeias industriais e restrições a empresas dos dois países. Nesse contexto, um pedido de aeronaves deixa de ser apenas uma decisão comercial e passa a funcionar também como sinal diplomático.

Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que Pequim costuma usar anúncios desse tipo em cúpulas bilaterais como gesto político. Os detalhes finais, como companhias operadoras, modelos e cronograma, muitas vezes só ficam claros mais perto das entregas.

Disputa com Airbus também pesa

O anúncio ocorre em um momento importante para a Boeing no mercado chinês. A Reuters afirma que a Airbus superou a Boeing nas entregas ao mercado chinês desde 2018 e ampliou sua presença no país, incluindo uma linha de montagem final do A320 em Tianjin.

Essa disputa ajuda a explicar por que o mercado reagiu com frustração ao número de 200 jatos. Para a Boeing, um pacote maior poderia representar não apenas novas vendas, mas também um sinal de recuperação de espaço em um dos mercados de aviação mais importantes do mundo.

A China deve continuar sendo um mercado estratégico para fabricantes de aeronaves nas próximas décadas. Por isso, qualquer encomenda anunciada durante uma cúpula presidencial tende a ser lida também como indicador de aproximação ou tensão na relação entre Pequim e Washington.