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A corrida global pela inteligência artificial e a disputa por poder entre EUA e China

22 de dezembro de 20253 min de leitura

A corrida global pela inteligência artificial deixou de ser apenas uma disputa por inovação tecnológica e passou a ocupar o centro da geopolítica mundial. Estados Unidos e China avançam em estratégias distintas, mas igualmente agressivas, para garantir controle sobre os recursos que sustentam a nova economia digital: chips avançados, infraestrutura de dados, capital e poder regulatório.

Nos últimos meses, uma sequência de movimentos revelou que a competição entrou em uma fase mais estrutural e menos simbólica. De um lado, Washington tenta limitar o acesso chinês às tecnologias mais sensíveis. Do outro, Pequim acelera esforços para reduzir sua dependência externa e manter o ritmo de desenvolvimento em inteligência artificial.

O papel estratégico dos semicondutores

Um dos pontos centrais dessa disputa envolve os semicondutores de última geração, essenciais para treinar e operar modelos avançados de IA.

A NVIDIA, principal fornecedora mundial desse tipo de chip, tornou-se peça-chave nesse embate. Segundo a agência Reuters, a empresa trabalha para iniciar, a partir de fevereiro, o envio de versões adaptadas do chip H200 ao mercado chinês. A estratégia busca respeitar tecnicamente as restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que preserva o acesso a um dos maiores mercados consumidores de tecnologia do mundo.

As sanções americanas têm como objetivo impedir que chips de alto desempenho sejam utilizados em aplicações consideradas sensíveis, como supercomputação e projetos militares. No entanto, a própria dinâmica do mercado tem mostrado os limites dessas medidas. Ao criar versões modificadas dos processadores, empresas como a NVIDIA tentam operar dentro das regras, sem abandonar um mercado avaliado em bilhões de dólares.

Capital e infraestrutura entram no centro da disputa

A disputa não se restringe ao fornecimento de hardware. Ela se estende à capacidade de financiar e sustentar projetos de inteligência artificial em larga escala.

Nesse contexto, outro movimento revelado pela Reuters chama atenção. O grupo japonês SoftBank corre para cumprir um compromisso de financiamento de até US$ 22,5 bilhões com a OpenAI até o fim do ano. O aporte faz parte de uma estratégia para garantir infraestrutura, capacidade computacional e autonomia em um cenário de competição global cada vez mais acirrada.

Esses recursos são destinados, principalmente, à expansão de data centers, aquisição de chips de IA e aumento da escala operacional dos modelos. Na prática, isso significa assegurar acesso contínuo aos componentes mais disputados do mercado, em um momento em que governos e empresas tratam a inteligência artificial como ativo estratégico.

A estratégia chinesa de longo prazo

Enquanto isso, a China segue um caminho paralelo. Reportagens e análises reunidas pela Reuters mostram que o país investe pesadamente em seu próprio ecossistema de semicondutores, buscando repetir, no campo da IA, um esforço semelhante ao “Projeto Manhattan” americano, que marcou a corrida nuclear no século XX. O objetivo é reduzir vulnerabilidades externas e garantir soberania tecnológica no longo prazo.

IA como eixo de poder global

O resultado é um cenário em que tecnologia, economia e segurança nacional se misturam de forma inédita. A inteligência artificial deixou de ser apenas um diferencial competitivo entre empresas e passou a influenciar diretamente relações diplomáticas, políticas industriais e estratégias de defesa.

Para o público global, os impactos vão além dos bastidores do poder. Essa corrida influencia desde o ritmo de inovação de produtos e serviços digitais até a estabilidade das cadeias globais de suprimentos e o equilíbrio de forças entre as maiores potências do planeta.

A disputa pela liderança em inteligência artificial ainda está longe de um desfecho. Mas os movimentos recentes indicam que a batalha decisiva não será travada apenas nos laboratórios de pesquisa, e sim no controle dos chips, do capital e das regras que moldarão o futuro tecnológico global.

Publicado por Redação Trendahora • Internacional