O Conselho de Segurança da ONU deve votar neste sábado (4) uma resolução proposta pelo Bahrein para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, em meio ao agravamento da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O texto, segundo a Reuters, autoriza “todos os meios defensivos necessários”, mas enfrenta resistência aberta de membros permanentes com poder de veto, o que mantém o desfecho diplomático em aberto.

A nova rodada de pressão internacional ocorre no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (3) que Washington poderia reabrir o Estreito de Ormuz “com um pouco mais de tempo”. A declaração foi feita na Truth Social, em um contexto de crescente cobrança internacional por uma saída para a crise energética e marítima provocada pelo fechamento efetivo da rota.

A ofensiva diplomática corre paralelamente à escalada militar. Segundo a Reuters, Trump voltou a ameaçar ataques adicionais contra infraestrutura iraniana, incluindo pontes e usinas de energia, depois que um ataque dos EUA atingiu a ponte B1, entre Teerã e Karaj. Em resposta, o Irã ampliou a retaliação regional e atingiu uma usina de dessalinização e energia no Kuwait, além de manter ameaças contra ativos ligados aos EUA e a Israel no Golfo.

O impasse em torno de Ormuz ganhou peso global porque o estreito responde, em condições normais, por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás. Com a rota sob forte disrupção desde o fim de fevereiro, governos e mercados passaram a tratar a reabertura como prioridade. A Reuters informou ainda que o J.P. Morgan vê risco de o barril superar US$ 150 caso as interrupções persistam até meados de maio.

Na ONU, o principal obstáculo está na divisão entre as grandes potências. A Reuters informou que a China rejeitou a autorização de uso da força por considerar que isso agravaria a escalada, e que uma versão anterior do texto teve a chamada “aprovação silenciosa” rompida por China, França e Rússia. Para ser aprovada, a resolução precisa de ao menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.

Mesmo com o estreito ainda longe de uma normalização, alguns sinais de passagem seletiva começaram a aparecer. A Reuters relatou nesta sexta-feira a travessia de um navio da francesa CMA CGM e de um navio de gás natural liquefeito ligado ao Japão, indicando que o bloqueio não se traduz, até aqui, em fechamento uniforme para todas as bandeiras. Isso, porém, não altera o quadro principal: a navegação segue sob tensão e sem solução política consolidada.

A votação prevista para sábado tende a se tornar um teste imediato sobre até onde a comunidade internacional está disposta a ir para garantir a navegação em Ormuz sem ampliar ainda mais o conflito regional. No momento, o cenário combina três pressões simultâneas: escalada militar dos EUA, resistência diplomática no Conselho de Segurança e temor crescente de impacto prolongado sobre energia, comércio e cadeias globais de abastecimento.