O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para o risco de um colapso financeiro iminente da instituição, diante da falta de pagamentos das contribuições obrigatórias por parte dos Estados-membros.

A advertência foi feita em uma carta enviada a embaixadores, datada de 28 de janeiro de 2026, cujo conteúdo foi obtido pela agência Reuters. Segundo Guterres, a crise de liquidez da ONU atingiu um nível crítico e pode comprometer o funcionamento regular da organização nos próximos meses.

O enfraquecimento financeiro da ONU ocorre em um momento de reorganização do equilíbrio global, marcado por disputas entre grandes potências e por iniciativas paralelas de mediação internacional.

Esse cenário tem levantado questionamentos sobre a capacidade do sistema multilateral de responder a crises globais, tema que também aparece em debates recentes sobre novas articulações diplomáticas fora do eixo tradicional da ONU, como discutido em análise publicada pelo Trendahora sobre o chamado “conselho de paz” defendido por Donald Trump.

DÍVIDAS ACUMULADAS SUPERAM U$ 1,5 BILHÃO

De acordo com o secretário-geral, a ONU encerrou 2025 com US$ 1,57 bilhão em contribuições em atraso, valor considerado suficiente para colocar em risco a sustentabilidade financeira da organização, que conta atualmente com 193 Estados-membros.

O problema, segundo Guterres, não está no orçamento aprovado, mas na inadimplência recorrente de países que deixam de cumprir seus compromissos financeiros dentro do prazo estabelecido.

ONU PODE FICAR SEM RECURSOS ATÉ JULHO DE 2026

Na carta, Guterres afirma que, caso a situação não seja revertida, a ONU pode ficar sem dinheiro até julho de 2026, o que afetaria diretamente operações administrativas, missões políticas e atividades essenciais da organização.

Ele também destacou que regras financeiras internas agravam o problema de caixa, ao obrigar a ONU a devolver fundos não utilizados, mesmo em um cenário de escassez de recursos.

PRINCIPAIS CONTRIBUINTES CONCENTRAM MAIOR PESO NO ORÇAMENTO

Atualmente, os Estados Unidos respondem por cerca de 22% do orçamento regular da ONU, enquanto a China contribui com aproximadamente 20%, segundo dados citados por Guterres na carta.

O orçamento regular aprovado para 2026, já após cortes, é de cerca de US$ 3,45 bilhões, valor que depende integralmente do cumprimento das contribuições obrigatórias para ser executado.

APELO DIRETO AOS ESTADOS MEMBROS

No documento, o secretário-geral fez um apelo direto aos governos para que regularizem seus pagamentos e evitem que a ONU enfrente uma crise sem precedentes.

Segundo Guterres, a falta de liquidez ameaça não apenas a administração interna da organização, mas também sua capacidade de atuar em conflitos, crises humanitárias e missões diplomáticas ao redor do mundo.