Uma nova enxurrada atingiu o Nepal neste domingo (11), destruiu casas e pontes no distrito de Gorkha e deixou cinco pessoas desaparecidas. O episódio ocorre poucas semanas depois de outras duas grandes ondas de desastres atingirem o país.
O balanço divulgado pela autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal registrava 45 casas totalmente destruídas e outras 27 parcialmente danificadas. Ao menos 82 pessoas haviam sido resgatadas. Duas pontes de concreto e duas suspensas também foram atingidas, além de estruturas de três projetos hidrelétricos.
O que provocou a enxurrada
Desta vez, a chuva intensa não aparece como o principal gatilho.
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A avaliação preliminar é de que um deslizamento próximo a Chumchet tenha bloqueado temporariamente um curso d'água ligado ao rio Budhi Gandaki. A água se acumulou atrás dessa barreira natural e, quando ela cedeu, uma massa de água, lama, pedras e sedimentos avançou pelo vale.
O serviço hidrológico nepalês informou que não havia chuva significativa na área de origem capaz de explicar sozinha a elevação repentina do rio. Autoridades enviaram especialistas e drones para investigar o ponto onde o bloqueio teria ocorrido.
Mais um desastre em poucas semanas
A nova enxurrada ocorre em meio a uma sequência incomum de grandes desastres.
Em 26 de agosto, o colapso de rocha e gelo na montanha Langtang Lirung desencadeou uma enorme avalanche que avançou pelos rios Bhote Koshi e Trishuli. Dados apresentados posteriormente pelo governo nepalês apontaram mais de 1.400 mortos e cerca de 6 mil pessoas ainda não localizadas.
No fim de setembro, foi a chuva extrema que voltou a atingir o país. Um sistema de baixa pressão originado na Baía de Bengala provocou precipitação intensa; a NDRRMA registrou 21 mortes e centenas de ocorrências envolvendo deslizamentos, enchentes e chuva forte.
Os três episódios tiveram gatilhos diferentes. O desastre atual, porém, ocorre no Budhi Gandaki, que integra o sistema fluvial que alcança o Trishuli, também atingido pela catástrofe de agosto. Até agora não há evidência de que o desastre anterior tenha provocado diretamente a nova enxurrada. O que se repete é a vulnerabilidade dos vales do Himalaia a deslizamentos, bloqueios de rios, chuvas extremas e eventos capazes de desencadear outros perigos em sequência.


