O partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi o mais votado nas eleições de Israel, realizadas na terça-feira (27), mas isso pode não ser suficiente para mantê-lo no poder. Enquanto seus adversários ganharam força, o partido de Netanyahu passou a acusar grupos políticos árabes de terem roubado a eleição.
Com 85,6% dos votos contabilizados nesta quarta-feira (28), Netanyahu e seus aliados conquistaram 53 das 120 cadeiras do Parlamento. Para governar, precisam de pelo menos 61.
Como Netanyahu pode perder mesmo tendo o partido mais votado?
Diferentemente do Brasil, Israel não escolhe diretamente seu primeiro-ministro. Os eleitores votam em partidos, que depois precisam formar alianças para conseguir a maioria no Parlamento.
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O partido de Netanyahu, chamado Likud, conquistou 26 cadeiras. Somando seus aliados, chega a 53.
Já os demais partidos contrários a Netanyahu somam 67 representantes. O problema é que eles também têm diferenças políticas importantes e nem todos aceitam governar juntos.
Nesse cenário, os partidos que representam principalmente cidadãos árabes de Israel ganharam importância: juntos, conquistaram 19 cadeiras projetadas, um resultado histórico. Seu apoio poderia ser decisivo para retirar Netanyahu do poder.
Por que Netanyahu está falando em fraude?
Durante a votação, Netanyahu divulgou um vídeo acusando adversários de tentar roubar a eleição. No dia seguinte, seu partido afirmou que grupos árabes teriam cometido irregularidades, incluindo compra de votos, ameaças e falsificações.
O Likud pediu uma investigação policial. A Comissão Eleitoral Central informou que está examinando as denúncias, mas não apresentou comprovação de fraude generalizada.
O que acontece agora?
A contagem continua, incluindo votos de militares e outros eleitores. Os resultados oficiais estão previstos para 4 de novembro.
Mesmo depois disso, será necessário negociar alianças para formar um governo. Até lá, Netanyahu continua como primeiro-ministro.
O resultado definirá quem comandará Israel em um momento de conflitos em Gaza e de tensões com o Irã, mas ainda não há garantia de que Netanyahu ou seus adversários conseguirão formar uma maioria.



