Milhares de pessoas se reuniram no Imam Khomeini Mosalla, em Teerã, neste sábado, 4, para a cerimônia de despedida de Ali Khamenei. O funeral começou em clima de forte mobilização política, enquanto órgãos do Estado iraniano prometeram vingança contra Estados Unidos e Israel.
A cerimônia marca uma nova etapa da crise aberta após a morte de Khamenei, em 28 de fevereiro, durante ataques atribuídos por Teerã aos EUA e a Israel. O governo iraniano trata o episódio como “martírio” e tenta transformar o funeral em demonstração de unidade nacional, continuidade institucional e resistência contra seus adversários.
O tom foi elevado pelo Ministério da Inteligência do Irã, que divulgou comunicado prometendo vingar a morte de Khamenei e de vítimas da guerra. A pasta afirmou que a punição dos responsáveis seria a única forma de aliviar o luto do povo iraniano e de apoiadores do país no exterior.
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Funeral começa em Teerã
A primeira etapa pública da despedida reuniu fiéis no Imam Khomeini Mosalla, um dos principais espaços de grandes eventos religiosos e políticos da capital iraniana. Segundo registros divulgados pela mídia estatal iraniana, os participantes começaram a chegar ainda nas primeiras horas do dia, antes do início oficial da cerimônia.
A agenda oficial prevê que os atos em Teerã continuem antes da procissão principal na capital. Depois, as cerimônias devem seguir para Qom, uma das cidades religiosas mais importantes do Irã, e para cidades sagradas do Iraque, como Najaf e Karbala, antes do sepultamento em Mashhad, no santuário do Imã Reza.
O roteiro do funeral foi desenhado para dar à despedida uma dimensão nacional e religiosa. Teerã representa o centro político do país; Qom, a autoridade clerical; Mashhad, o ponto final simbólico do sepultamento.
Irã promete vingança contra EUA e Israel
O discurso oficial iraniano passou a destacar a promessa de vingança. Em comunicado, o Ministério da Inteligência afirmou que o país irá punir os responsáveis pela morte de Khamenei e pelas vítimas da guerra.
A Guarda Revolucionária também adotou tom de ameaça. O comandante da Marinha do IRGC, Ali Ozmaei, declarou que a “retribuição divina” contra os Estados Unidos e Israel não está distante. A fala foi apresentada como parte de uma promessa de continuidade do caminho político de Khamenei.
A formulação reforça que o funeral não está sendo tratado apenas como cerimônia de despedida. Para o regime, o ato também serve como mobilização política e mensagem direta aos adversários externos.
Ligação com Trump aparece em registros oficiais dos EUA
Do lado americano, a conexão com Donald Trump aparece nos registros oficiais sobre a Operação Epic Fury. A Casa Branca afirmou que Trump autorizou a campanha militar contra o Irã, enquanto o Departamento de Defesa registrou que a operação começou em 28 de fevereiro.
O governo dos EUA apresentou a ofensiva como uma ação para destruir capacidades militares iranianas, incluindo mísseis, drones, infraestrutura naval e instalações ligadas à defesa. Já o Irã afirma que os ataques atingiram sua liderança e provocaram milhares de mortes civis.
Funeral vira ato político
Mais do que uma cerimônia religiosa, o funeral de Khamenei se tornou um evento político. A mobilização em Teerã ocorre em meio à reorganização do poder iraniano e à tentativa do regime de mostrar controle após meses de guerra e tensão regional.
A presença de delegações estrangeiras e representantes religiosos também amplia o peso diplomático da cerimônia. O Irã tenta mostrar que segue com aliados, canais externos e capacidade de mobilização interna mesmo após os ataques e a transição de liderança.
A narrativa oficial apresenta o funeral como uma demonstração de unidade nacional
Impacto para o Brasil
Para o Brasil, o impacto direto é limitado neste momento, mas o funeral se conecta a uma crise mais ampla no Oriente Médio. A escalada entre Irã, Estados Unidos e Israel pode influenciar petróleo, dólar, rotas marítimas, sanções e o ambiente diplomático em torno do Estreito de Ormuz.
A tensão também importa porque envolve atores centrais para a política externa brasileira, como China, Rússia, Estados Unidos e países do Oriente Médio. Qualquer agravamento após o funeral pode pressionar mercados globais e aumentar a complexidade da posição brasileira em fóruns internacionais.
O funeral de Khamenei, portanto, não é apenas um ato interno iraniano. Ele marca uma fase da crise em que a despedida pública do antigo líder se mistura à disputa por poder, à promessa de retaliação e à tentativa de Teerã de projetar força diante de seus adversários.



