Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, matou um motorista colombiano de 25 anos na manhã desta segunda-feira (13), durante uma operação em Biddeford, no estado do Maine.

A vítima foi identificada por organizações de defesa dos imigrantes como Johan Sebastián Durán Guerrero. Horas após o episódio, o governo americano corrigiu a informação transmitida inicialmente e afirmou que ele não era o alvo da ordem que os agentes tentavam cumprir.

Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, os agentes vigiavam o último endereço conhecido de uma pessoa submetida a uma ordem definitiva de remoção do país.

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Um veículo deixou o endereço e os agentes tentaram abordá-lo. O departamento afirma que o motorista tentou fugir e que um dos oficiais disparou por considerar que havia risco para a segurança pública.

Vítima não era alvo da operação

O senador Angus King, que representa o Maine, afirmou inicialmente que o homem morto era a pessoa submetida à ordem de remoção. A informação teria sido repassada pelo secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin.

O gabinete do senador informou posteriormente que Mullin voltou a entrar em contato e corrigiu a versão: Guerrero não era o alvo da ordem cumprida pelos agentes.

A mudança é central para a investigação porque separa a situação migratória da pessoa procurada da conduta do motorista durante a abordagem. O que levou os agentes a tentar parar o veículo e como o carro se movimentou antes dos disparos ainda são pontos sob apuração.

Versões sobre o movimento do veículo

A Procuradoria-Geral do Maine informou que declarações iniciais indicam que o motorista tentou fugir com o veículo na direção do agente. O DHS declarou que o oficial abriu fogo por temer pela segurança pública.

Uma testemunha que acompanhou parte do episódio de um prédio próximo relatou ter ouvido vários disparos. Segundo o depoimento, o motorista ferido afirmou que havia tentado parar.

O mesmo morador disse que o agente envolvido alegou, após os disparos, que o veículo havia tentado atingi-lo. A posição do agente, a trajetória do automóvel e a distância entre os envolvidos ainda precisarão ser reconstruídas pelas autoridades.

ICE suspende abordagens não urgentes a veículos

Após a morte de Durán Guerrero e outro episódio fatal ocorrido no Texas, o Departamento de Segurança Interna concordou em suspender temporariamente as abordagens não urgentes a veículos realizadas pelo ICE.

A medida foi confirmada pela senadora Susan Collins, que disse ter solicitado a interrupção dessas operações ao secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin. Abordagens ligadas a mandados criminais e alvos considerados perigosos poderão continuar.

A suspensão amplia a repercussão do caso, que passou de uma investigação local sobre uso de força letal para uma revisão dos procedimentos adotados pelo ICE em operações envolvendo veículos.

Investigações apuram uso de força letal

A Procuradoria-Geral do Maine abriu uma investigação sobre o uso de força letal. As polícias de Biddeford, Saco e do estado do Maine auxiliam na apuração, juntamente com autoridades federais.

O Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna também investiga o episódio em cooperação com o FBI, segundo informações transmitidas a representantes do Maine.

O agente que efetuou os disparos foi afastado durante a investigação, procedimento adotado em ocorrências envolvendo morte causada por agentes de segurança.

De acordo com Angus King, os oficiais envolvidos na abordagem não utilizavam câmeras corporais. Com isso, imagens de testemunhas, perícias no veículo, registros da área e depoimentos devem ter papel central na reconstrução do caso.

Organizações de defesa dos imigrantes afirmaram que Guerrero possuía autorização para trabalhar nos Estados Unidos. A Procuradoria-Geral ainda não havia divulgado oficialmente a identidade da vítima no primeiro comunicado sobre o episódio.