Três filhos de Ali Khamenei participaram neste domingo (5) das orações fúnebres realizadas em Teerã, enquanto Mojtaba Khamenei, tratado pelo Irã como sucessor do ex-líder, continuou fora das cerimônias públicas.
A presença de Mostafa, Masoud e Meysam Khamenei foi registrada por veículos estatais iranianos durante o ato no Imam Khomeini Grand Mosalla, complexo religioso usado para grandes eventos oficiais na capital iraniana.
A cerimônia reuniu autoridades políticas, militares e religiosas do Irã. A oração fúnebre foi conduzida pelo aiatolá Jafar Sobhani, segundo a Mehr News, em meio a manifestações de luto e slogans de vingança contra Estados Unidos e Israel.
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A ausência de Mojtaba, segundo filho de Ali Khamenei, é o principal ponto político do episódio. Mesmo tratado por veículos estatais iranianos como novo líder supremo desde março, ele não apareceu nas imagens e relatos públicos das cerimônias consultadas.
Presença dos irmãos vira sinal político
A aparição dos três irmãos ocorre em um funeral que o regime iraniano tenta transformar em demonstração de continuidade, mobilização popular e resistência. A morte de Ali Khamenei, em fevereiro, abriu uma transição sensível no comando da República Islâmica.
A IRNA informou que os filhos presentes ficaram na primeira fila das orações fúnebres. A Mehr News também registrou a participação de Seyed Mostafa, Seyed Masoud e Seyed Meysam Khamenei no ato em Teerã.
Além dos familiares, participaram da cerimônia nomes centrais do Estado iraniano, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian e autoridades do Judiciário e do Parlamento. O comparecimento de figuras do regime funcionou como tentativa de mostrar que a cúpula política segue coordenada após meses de guerra e tensão interna.
Mojtaba permanece fora da cena pública
Mojtaba Khamenei não foi incluído entre os filhos presentes nas publicações estatais consultadas sobre a cerimônia. A ausência dele chama atenção porque o funeral do pai seria um dos momentos de maior simbolismo público desde a sucessão.
A Press TV, emissora estatal iraniana, trata Mojtaba como novo líder supremo e afirma que ele foi escolhido pela Assembleia dos Especialistas em março. Ainda assim, a exposição pública do sucessor permanece limitada.
No sistema político iraniano, a imagem do líder supremo tem peso institucional, religioso e militar. Por isso, a falta de uma aparição pública de Mojtaba durante o funeral amplia a atenção sobre como o regime pretende administrar a transição diante da população, das Forças Armadas e dos aliados regionais.
Funeral continua até Mashhad
As cerimônias fúnebres de Ali Khamenei foram organizadas em várias etapas. Após os atos em Teerã, o corpo deve passar por outras cidades de importância religiosa antes do sepultamento em Mashhad, cidade natal do ex-líder e um dos centros mais importantes do xiismo.
A imprensa estatal iraniana apresenta o funeral como um ato nacional de luto e resistência. Nas cerimônias, apoiadores carregaram bandeiras e cartazes em homenagem a Khamenei, enquanto discursos e slogans reforçaram a narrativa de enfrentamento aos Estados Unidos e a Israel.
O episódio ocorre em um momento delicado para a política externa iraniana. A sucessão em Teerã se conecta diretamente à condução das negociações com Washington, à tensão com Israel e aos riscos no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global.



