Os Estados Unidos mantiveram nesta quarta-feira, 15 de abril, o discurso de que uma nova rodada de negociações com o Irã ainda pode acontecer, mas elevaram ao mesmo tempo a pressão econômica sobre o setor de petróleo iraniano. A Casa Branca afirmou que as conversas seguem produtivas e podem voltar a ocorrer no Paquistão, enquanto Washington anunciou novas medidas contra a infraestrutura de transporte ligada ao petróleo do país.
O novo aperto inclui a ameaça de sanções secundárias contra países, bancos e compradores envolvidos na aquisição de petróleo iraniano ou na movimentação de recursos ligados a Teerã. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que os EUA estão dispostos a punir financeiramente agentes estrangeiros que mantenham esse fluxo, em uma sinalização voltada sobretudo ao circuito internacional que ainda sustenta parte das exportações iranianas.
Em paralelo, o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra mais de duas dezenas de indivíduos, empresas e embarcações associadas à rede de transporte de petróleo atribuída a Mohammad Hossein Shamkhani. Segundo o governo americano, a rede utiliza empresas de fachada e operadores marítimos para dar aparência de legalidade a um sistema que ajuda a manter a venda de petróleo iraniano apesar das restrições já em vigor.
No mar, os sinais de efeito do bloqueio começaram a aparecer de forma mais clara. A Reuters informou que o navio sancionado Rich Starry, de controle chinês, voltou em direção ao Estreito de Ormuz um dia depois de deixar o Golfo, sem conseguir romper o bloqueio liderado pelos EUA. A mesma cobertura relata que petroleiros iranianos carregando petróleo bruto deixaram de aparecer na rota desde o início dessa nova fase de pressão marítima.
O endurecimento americano acontece no mesmo momento em que Washington tenta manter aberta uma via diplomática. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que os EUA tenham pedido formalmente um cessar-fogo, mas afirmou que há otimismo sobre um possível avanço nas conversas. Nesse esforço, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, chegou a Teerã para tentar organizar uma nova rodada de negociações entre os dois lados.
A disputa em torno do petróleo ajuda a explicar por que o tema ganhou peso imediato no mercado. Segundo a Reuters, analistas estimam que o Irã pode suportar uma interrupção total das exportações por até dois meses antes de ser forçado a reduzir produção, embora outra estimativa aponte que esse prazo pode cair para cerca de 16 dias, dependendo da capacidade real de armazenamento em terra.
Mesmo com a possibilidade de retomada das negociações, o mercado internacional de energia continua operando sob forte tensão. A Reuters informou que o Brent fechou esta quarta-feira em US$ 94,93 e o WTI em US$ 91,29, enquanto autoridades europeias passaram a alertar para o risco de um choque energético prolongado caso a crise se estenda e continue afetando o fluxo no Estreito de Ormuz.
Na prática, o movimento desta quarta-feira mostrou que a estratégia dos EUA combina duas frentes ao mesmo tempo: manter viva a perspectiva de um novo encontro com Teerã e, paralelamente, aumentar o custo econômico de qualquer demora ou resistência iraniana. O resultado é um cenário em que a diplomacia continua em aberto, mas já sob pressão direta sobre navios, bancos, compradores e exportações de petróleo.



