Estados Unidos e Irã podem voltar à mesa de negociação ainda nesta semana, mas a retomada segue sem data oficial fechada. Nesta terça-feira, Donald Trump afirmou ao New York Post que as conversas podem ser retomadas no Paquistão “nos próximos dois dias”, em mais um sinal público de que Washington tenta manter aberta a via diplomática mesmo após o fracasso da rodada anterior.
Segundo a Reuters, fontes envolvidas nas negociações afirmaram que os dois lados podem retornar a Islamabad até o fim desta semana. Uma fonte iraniana disse que sexta, sábado e domingo permanecem em aberto, enquanto outra fonte ligada ao processo afirmou que uma proposta de nova rodada já foi enviada a Washington e Teerã. A Associated Press também informou que quinta-feira aparece entre as possibilidades analisadas, com Islamabad e Genebra citadas como cidades consideradas para o encontro.
O problema é que a possível retomada das conversas ocorre sob um novo nível de pressão militar e econômica. Depois do colapso das negociações do fim de semana, os Estados Unidos colocaram em prática o bloqueio naval aos portos iranianos. Em nota oficial, o Comando Central dos EUA afirmou que a medida começou a valer em 13 de abril e que se aplica ao tráfego marítimo que entra ou sai de portos iranianos no Golfo e no Golfo de Omã. O CENTCOM disse ainda que a operação não impede a navegação para destinos não iranianos através do Estreito de Ormuz.
A Reuters relatou que, um dia após o início da medida, ainda não havia registro de ação direta dos EUA contra embarcações para fazer cumprir o bloqueio, embora o ambiente regional tenha permanecido sob forte tensão. O mesmo texto informa que pelo menos três navios ligados ao Irã cruzaram o Estreito de Ormuz sem violar os termos anunciados, justamente por não estarem se dirigindo a portos iranianos. Em outra atualização, a Reuters informou que seis navios mercantes foram orientados a retornar durante as primeiras 24 horas da operação.
Esse quadro ajuda a explicar por que o bloqueio naval passou a ocupar o centro da crise. A rodada anterior terminou sem avanço, apesar de ter sido descrita pela Reuters como o contato de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Iraniana de 1979. Entre os temas ainda travados estão a situação do Estreito de Ormuz, as exigências americanas sobre o programa nuclear iraniano e o alcance de eventuais concessões políticas e econômicas num acordo mais amplo.
Ao mesmo tempo, o mercado passou a reagir tanto ao risco militar quanto à chance de retomada diplomática. A Reuters informou que os preços de referência do petróleo recuaram para abaixo de US$ 100 na terça-feira, movimento associado à expectativa de novas conversas. Ainda assim, a mesma agência destacou que a guerra já levou o FMI a cortar sua projeção de crescimento global, citando choques de preços e problemas de oferta provocados pelo conflito.
Na prática, a sinalização de Trump reabre a porta das negociações, mas não elimina o impasse central. A diplomacia continua em movimento, porém sem calendário oficial e sob o peso de um bloqueio naval que amplia a pressão sobre Teerã e mantém o Estreito de Ormuz como um dos pontos mais sensíveis da crise no Oriente Médio.



