Estados Unidos e Irã anunciaram que alcançaram um entendimento sobre os “principais princípios orientadores” de um possível acordo nuclear, após a segunda rodada de negociações indiretas realizada nesta terça-feira (17), em Genebra. Apesar do avanço, autoridades iranianas afirmaram que isso não significa que um acordo esteja próximo de ser fechado.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, “diferentes ideias foram apresentadas, essas ideias foram discutidas seriamente e, no fim, conseguimos chegar a um entendimento geral sobre alguns princípios orientadores”. Ele acrescentou que, a partir desses princípios, as partes entrarão na fase de elaboração do texto de um eventual acordo.
Araqchi também declarou que “o caminho para um acordo começou”, mas ressaltou que ainda há questões pendentes a serem resolvidas.
NEGOCIAÇÕES INDIRETAS E MEDIAÇÃO DE OMÃ
A reunião ocorreu na residência do embaixador de Omã nas Nações Unidas, com mediação do ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi.
De acordo com informações citadas pela Reuters, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e Jared Kushner participaram das conversas. A Casa Branca não respondeu a questionamentos enviados por e-mail sobre o encontro.
Após a troca de documentos entre as delegações, as partes decidirão a data de uma terceira rodada de negociações.
PARTICIPAÇÃO INDIRETA DE TRUMP E PRESSÃO MILITAR
Na véspera das conversas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que estaria envolvido “indiretamente” nas negociações.
“Eu estarei envolvido nessas conversas, indiretamente. E elas serão muito importantes”, disse Trump. Ele também afirmou: “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo.”
Trump mencionou ainda que os EUA poderiam ter fechado um acordo “em vez de enviar os B-2 para eliminar o potencial nuclear deles”, acrescentando que “tivemos que enviar os B-2”.
As negociações ocorrem em meio a forte tensão regional. Os Estados Unidos enviaram força militar ao Oriente Médio e deslocaram um segundo porta-aviões para a região. Autoridades norte-americanas também afirmaram à Reuters que o Exército dos EUA se prepara para a possibilidade de semanas de operações contra o Irã, caso haja ordem presidencial.
PRINCIPAIS IMPASSES: ENRIQUECIMENTO, MÍSSEIS E SANÇÕES
Washington busca ampliar o escopo das conversas para incluir temas não nucleares, como o estoque de mísseis do Irã.
Teerã, por sua vez, afirma estar disposto apenas a discutir restrições ao seu programa nuclear em troca de alívio de sanções. O governo iraniano também declarou que não abrirá mão completamente do enriquecimento de urânio em seu território nem discutirá seu programa de mísseis.
Antes dos ataques dos Estados Unidos em junho, as negociações haviam estagnado diante da exigência americana de que o Irã abandonasse o enriquecimento de urânio em solo nacional.
ESTREITO DE ORMUZ E CONTEXTO ESTRATÉGICO
No momento em que as negociações começavam em Genebra, a mídia estatal iraniana informou que partes do Estreito de Ormuz seriam temporariamente fechadas por algumas horas por “precauções de segurança”.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem cobrado do Irã esclarecimentos sobre o destino de um estoque de 440 kg de urânio altamente enriquecido, além da retomada plena das inspeções, inclusive em três instalações consideradas estratégicas: Natanz, Fordow e Isfahan, que foram bombardeadas no ano passado.



