O Conselho de Segurança da ONU deve votar nesta terça-feira, 7 de abril, uma versão mais branda da resolução sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, em um movimento que expõe a dificuldade de aprovar uma resposta internacional mais dura para a crise no corredor marítimo mais sensível do mercado global de energia.

A principal mudança no texto foi a retirada de qualquer autorização explícita para uso da força. A nova redação passou a incentivar que países interessados na proteção das rotas comerciais coordenem ações defensivas proporcionais às circunstâncias, incluindo escolta de embarcações mercantes e medidas para impedir novas interferências na navegação internacional pelo estreito.

O recuo ocorreu depois da reação da China, que se opôs à linguagem anterior por considerar que ela poderia legitimar nova escalada militar. O Bahrein, que preside o Conselho neste mês e vinha articulando a proposta com apoio de países do Golfo e de Washington, já havia adiado votações anteriores na sexta-feira e no sábado após resistência dentro do próprio órgão.

Conselho tenta destravar votação

Diplomatas ouvidos pela Reuters afirmaram que a versão diluída tem chance melhor de avançar, embora o resultado ainda seja incerto. Para ser aprovada, a resolução precisa de ao menos nove votos favoráveis e não pode sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.

Na prática, a mudança de texto desloca o eixo da discussão. Em vez de uma autorização internacional para ação mais robusta no estreito, o foco passa a ser a coordenação defensiva entre Estados, numa tentativa de preservar apoio suficiente para a proposta sobreviver politicamente dentro do Conselho de Segurança.

China reforça linha por cessar-fogo

A posição chinesa continua sendo um dos fatores centrais da negociação. Segundo a Reuters, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, defendeu que a saída fundamental para a crise em Ormuz passa por um cessar-fogo o mais rápido possível, e não por uma resolução que abra espaço para medidas coercitivas mais amplas.

Ao mesmo tempo, o impasse diplomático ocorre sob pressão crescente de Washington. Também nesta segunda-feira, Donald Trump afirmou que o prazo dado ao Irã para um acordo até a noite de terça-feira é final e improvável de ser estendido. Teerã, por sua vez, resiste a reabrir o estreito sob pressão e afirma buscar um fim duradouro para a guerra, e não apenas uma trégua provisória.

Novo esforço diplomático em paralelo

No mesmo dia, a Reuters informou que Estados Unidos e Irã receberam, por meio do Paquistão, uma proposta em duas etapas para encerrar as hostilidades: primeiro um cessar-fogo imediato, depois um acordo mais amplo. Nesse desenho, a reabertura de Ormuz apareceria logo no início, mas o Irã ainda não havia assumido compromisso com o plano até a publicação da reportagem.

Esse movimento paralelo amplia o peso político da votação na ONU. Mesmo que a resolução avance, ela tende a funcionar mais como instrumento de pressão diplomática e de coordenação internacional do que como autorização direta para uma operação de força no estreito.

Por que Ormuz segue no centro da crise

O Estreito de Ormuz segue no centro da disputa porque é uma das rotas mais estratégicas do planeta para energia. A passagem é responsávelde cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás, o que ajuda a explicar por que qualquer deterioração na segurança local repercute quase imediatamente no mercado internacional e na percepção de risco geopolítico.

Se a votação desta terça confirmar a versão mais branda do texto, o resultado político imediato será claro: o Conselho de Segurança terá conseguido manter a crise de Ormuz na mesa, mas sem unidade para respaldar uma resposta mais dura. Para o mercado e para os governos envolvidos, isso significará que a disputa continuará dependendo menos de consenso multilateral e mais da combinação entre pressão diplomática, negociação indireta e capacidade de dissuasão no Golfo.