China e Filipinas elevaram a tensão no mar do Sul da China após um confronto físico entre integrantes da Guarda Costeira chinesa e militares da Marinha filipina perto do recife Second Thomas. O episódio deixou dois filipinos feridos e levou os governos dos dois países a convocarem os embaixadores do lado rival nesta terça-feira (21).

Imagens divulgadas pelas Forças Armadas das Filipinas mostram os agentes em pequenas embarcações, trocando golpes com remos, bastões e objetos de madeira. A gravação confirma a violência, mas não permite reconstruir sozinha toda a sequência anterior ao início dos golpes.

Confronto perto de posto militar filipino

O confronto ocorreu nas proximidades do BRP Sierra Madre, antigo navio de guerra que as Filipinas encalharam deliberadamente no recife em 1999 e passaram a utilizar como posto militar. A China reivindica a área, chama o local de Ren’ai Jiao e exige que Manila retire a embarcação.

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Segundo as Forças Armadas filipinas, uma embarcação da Guarda Costeira chinesa com oito agentes se aproximou do Sierra Madre e passou a circular perto do posto. Duas lanchas filipinas teriam solicitado o afastamento dos chineses, que teriam respondido com golpes contra os militares e uma das embarcações.

A Guarda Costeira das Filipinas informou posteriormente que retirou dois militares feridos do recife. Um deles apresentava corte na cabeça, hematoma no braço e lesões provocadas por impacto. O segundo sofreu um corte no dedo indicador e redução da força na mão direita. Ambos estavam em condição estável.

China acusa filipinos de iniciar violência

Pequim apresentou uma versão oposta. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que duas embarcações filipinas se aproximaram deliberadamente, atingiram um barco da Guarda Costeira chinesa e atacaram seus agentes com remos e varas.

O porta-voz Lin Jian disse que os chineses foram obrigados a responder de forma “firme” e dentro da lei. O governo chinês acusou Manila de distorcer os acontecimentos e afirmou ter apresentado um protesto formal ao embaixador filipino em Pequim.

As Filipinas rejeitaram essa versão e sustentaram que seus militares tentavam apenas afastar a embarcação chinesa do posto instalado no Sierra Madre. Autoridades filipinas classificaram a atuação chinesa como violenta e afirmaram que o episódio integra um padrão de pressão contra a presença de Manila na área.

Crise chega ao nível diplomático

Horas depois da convocação do representante filipino em Pequim, o presidente Ferdinand Marcos Jr. chamou o embaixador chinês Jing Quan ao palácio presidencial em Manila. Convocações diretas de embaixadores são menos frequentes do que os protestos diplomáticos regularmente apresentados pelos dois governos.

O governo filipino também levou o incidente a uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Asean. O encontro regional acontece em Manila e inclui discussões sobre mecanismos para impedir que confrontos marítimos entre a China e países do Sudeste Asiático evoluam para uma crise militar.

Disputa se arrasta há anos

O recife Second Thomas fica dentro da zona econômica exclusiva reivindicada pelas Filipinas. Em 2016, um tribunal arbitral concluiu que o local integra a zona econômica exclusiva e a plataforma continental filipinas e rejeitou fundamentos centrais usados pela China para reivindicar quase todo o mar do Sul da China.

Pequim não participou do processo e não reconhece a decisão. O governo chinês sustenta que o recife pertence ao país e acusa as Filipinas de violar compromissos anteriores ao manter militares e instalações no Sierra Madre.

A região registra há anos bloqueios, colisões, uso de canhões de água e confrontos em operações filipinas de abastecimento. O novo episódio aumenta a pressão sobre os canais diplomáticos criados para administrar a disputa e evitar um confronto mais amplo entre os dois países.