Atualizado às 18:43 — Trump anuncia extensão de três semanas da trégua
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, em publicação no Truth Social, que o cessar-fogo entre Israel e Líbano será estendido por três semanas após uma reunião no Salão Oval com representantes de alto escalão dos dois países. No texto, Trump disse que o encontro contou com a presença do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio, do embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, e do embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, além de representantes israelenses e libaneses.
Na mensagem, Trump também afirmou que os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano para ajudá-lo a se proteger do Hezbollah e disse esperar receber futuramente na Casa Branca o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente do Líbano, Joseph Aoun.
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Mais cedo, Reuters e AP haviam informado que o Líbano foi a Washington justamente para buscar a prorrogação da trégua mediada pelos EUA, que expiraria no domingo, 26 de abril. As negociações ocorreram após o dia mais letal desde o início do cessar-fogo, com ataques israelenses que deixaram ao menos cinco mortos no sul do Líbano, incluindo a jornalista Amal Khalil.
Apesar do anúncio de Trump, o cenário na fronteira segue instável. O Exército de Israel disse nesta quinta-feira que interceptou lançamentos vindos do Líbano na região de Shtula, no norte israelense, indicando que a trégua permanece frágil mesmo com a nova sinalização política de Washington.
Antes do anúncio de Donald Trump no Truth Social, Reuters e Associated Press haviam informado que representantes de Líbano e Israel se reuniram em Washington nesta quinta-feira, 23 de abril, para discutir a prorrogação do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Beirute foi ao encontro buscando ampliar a trégua que, até então, expiraria no domingo, 26 de abril, em meio à pressão causada pelo dia mais letal no território libanês desde o início do acordo.
Segundo a Reuters, o governo libanês levou à mesa a defesa de uma extensão do cessar-fogo, a interrupção das demolições israelenses em vilarejos do sul do Líbano, a discussão sobre uma futura retirada das tropas israelenses e o retorno de detidos libaneses. A AP também descreveu a rodada como apenas o segundo contato diplomático direto entre Líbano e Israel em cerca de três décadas.
As negociações foram impulsionadas pela escalada registrada na quarta-feira, quando ataques israelenses no sul do Líbano mataram ao menos cinco pessoas, incluindo a jornalista Amal Khalil. Mais tarde, já nesta quinta-feira, o Exército de Israel afirmou ter interceptado vários lançamentos vindos do Líbano na região de Shtula, no norte do país, sinalizando que a trégua segue frágil apesar da nova sinalização política de Washington.
O que o Líbano quer levar à mesa
De acordo com o presidente libanês Joseph Aoun, a embaixadora Nada Moawad foi encarregada de apresentar aos mediadores e aos representantes israelenses a posição de Beirute em torno de três pontos centrais: interromper as demolições conduzidas por Israel em localidades do sul libanês, discutir um caminho para a retirada israelense e tratar da libertação de libaneses detidos.
A Associated Press informou que esta é apenas a segunda rodada de contato diplomático direto entre Líbano e Israel em cerca de três décadas, o que por si só já transforma a reunião em um marco relevante dentro da crise atual.
Trégua segue sob pressão no sul do Líbano
Mesmo com o cessar-fogo em vigor, a situação no sul do Líbano segue instável. A Reuters informou que Israel mantém presença em uma faixa de segurança autodeclarada no sul do país, enquanto Beirute acusa o governo israelense de continuar com operações militares e destruição de casas em áreas ocupadas.
A morte da jornalista Amal Khalil elevou ainda mais a pressão internacional. O Committee to Protect Journalists pediu uma investigação internacional urgente sobre o caso e afirmou que a demora no acesso médico após o ataque deve ser apurada.
Do outro lado, o Hezbollah apoia uma eventual extensão da trégua caso Israel cumpra integralmente os termos do acordo, mas rejeita negociações diretas com Israel. Isso mantém a mesa diplomática sob forte tensão política, mesmo com a mediação dos Estados Unidos.
Mesmo após o anúncio de Trump, o cenário continua volátil, com novos lançamentos interceptados por Israel nesta quinta-feira.
Por que essa reunião ganhou peso agora
A reunião desta quinta-feira ganhou peso porque combina três fatores que mudam o patamar da crise: a proximidade do fim formal do cessar-fogo, a escalada mortal registrada na quarta-feira e a tentativa dos Estados Unidos de impedir uma volta imediata dos confrontos em larga escala na fronteira entre Israel e Líbano.
Na prática, o encontro em Washington pode definir se a trégua sobreviverá além de 26 de abril ou se a região voltará a enfrentar um ciclo mais aberto de confrontos.



